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Olhem do que eles gostam

Luiz Carlos Merten

03 de agosto de 2013 | 11h46

Fui fazer uma pesquisa na rede – não conseguia me lembra do título do filme de Daniel Burman com Jorge Drexler, Minha Sorte em Tuas Mãos – e topei com uma coisa bem interessante, que vai virar post (agora). Mas vou começar com meia-informação. Não sei exatamente quem, ou que instituição, pediu a dez grandes diretores uma lista de seus dez melhores filmes de todos os tempos. Aleluia! Ninguém colocou o Potemkin, de Sergei M. Eisenstein, mas em compensação as listas trazem escolhas bem curiosas. A coisa deve ser antiga, porque Stanley Kubrick é um dos autores consultados e a lista dele privilegia os filmes em preto e branco, o que me pareceu bem interessante. Os Boas Vidas, Morangos Silvestres, Cidadão Kane, O Tesouro de Sierra Madre, Luzes da Cidade, A Noite, um filme de William Wellman que não conheço (Pernas Provocantes/Roxie Hart, de 1942) e os coloridos, Hell’s Angels, de Roger Corman – Kubrick devia estar brincando – e o Henrique 5.º de Laurence Olivier.  A lista de Martin Scorsese começa com Kubrick, 2001, e prossegue com 8 e 1/2, Cinzas e Diamantes (Andrzej Wajda!), Cidadão Kane, O Leopardo, Paisà, Sapatinhos Vermelhos, O Rio, O Bandido Giuliano, Rastros de Ódio, Um Corpo Que Cai/Vertigo e Contos da Lua Vaga.  Woody Allen vai de 8 e 1/2, Os Incompreendidos, Amarcord, Cidadão Kane, O Discreto Charme da Burguesia, A Grande Ilusão, Glória Feita de Sangue (Kubrick), Rashomon, O Sétimo Selo e Ladrões de Bicicletas. Francis Ford Coppola começa a lista dele por um Billy Wilder, mas é Se Meu Apartamento Falasse, e prossegue com Cinzas e Diamantes, Aurora (de Murnau), Yojimbo e O Homem Mau Dorme Bem (dois de Kurosawa), Touro Indomável e O Rei da Comédia (dois de Scorsese) e Os Boas Vidas. Quentin Tarantino me surpreendeu, menos por Appocalypse Now, Carrie a Estranha (Brian De Palma), Três Homens em Conflito (Sergio Leone) e Fugindo do Inferno (John Sturges) que por escolhas realmente inesperadas, que nunca mencionou nas entrevistas que fiz com ele – A Outra Face da Violência, Rolling Thunder, de John Flynn  que sempre considerei um dos filmes seminais sobre as consequências da Guerra do Vietnã na vida americana, e outras duas que me pegaram desprevenido – Garotos em Ponto de Bala, de Michael Ritchie (mas sempre achei que era um diretor subestimado) e Garotas Lindas aos Montes, de Roger Vadim, e isso sim eu chamo de excentricidade. Outros diretores também apresentam suas listas (são dez, como disse), mas encerro o post com Christopher Nolan. Novas surpresas – o número um dele é The Hit, de Stephen Frears, seguindo-se um Terrence Malick, prova de que ninguém é perfeito (Além da Linha Vermelha) e mais O Testamento do Dr. Mabuse (Fritz Lang, 1933), Doze Homens e Uma Sentença (Sidney Lumet), Mr. Arkadin/Grilhões do Passado (Orson Welles), Koyaanisqatsi (Godfrey Reggio), Greed/Ouro e Maldição (Erich Von Stroheim) e Furyo/Em Nome da Honra (Nagisa Oshima). E ninguém colocou o ‘meu’ Rocco… A par do aspecto de curiosidade das listas, acho interessante constatar como os filmes de Nolan são coerentes com suas escolhas (e o Lang explica muita coisa na série sobre Batman do autor). Não consigo me identificar com nenhuma das listas, mas me encanta ver que filmes que me marcaram e estão no meu imaginário (Cinzas e Diamantes, Aurora, O Homem Mau Dorme Bem etc) estão no imaginário de outros, também.

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