As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Olaf? Não, Maximus!

Luiz Carlos Merten

25 de abril de 2020 | 23h25

E os clássicos continuam – Tabu, de Murnau e Flaherty, O Terceiro Homem, Casablanca, O Mundo não Perdoa, A Grande Testemunha, e o último não é outro senão o cultuado Au Hazard, Balthazar, de Robert Bresson, de 1966. A história do jumento, que, por meio de sua ligação com Marie/Maria, metaforiza toda a dor humaana. Bresson, o outro jansenista da mise-en-scène, para usar a definição que o teórico André Bazin aplicou a William Wyler. Os jansenistas acreditavam na graça e na predestinação. Num livro que talvez já tenha citado no blog, intitulado Watching Them Be, da Faber and Faber, o autor, James Harvey, mapeia a presença de astros e estrelas no cinema, de Garbo a… Balthazar. Sim, o jumento, que vai assumir a transcendência (e a graça) como verdadeiro personagem que é. Tenho adorado fazer esses posts para o portal. Minha colega Eliana Souza, que tem curtido a série, brincou hoje comigo que deveria reuní-los num livro. O cinema tem sido minha companhia nesses dias de isolamento. Fiz algumas descobertas bem interessantes. Nunca entendi direito como nem por que Frozen virou um fenômeno planetário, registrando a maior bilheteria – a maior! – de toda a história da Disney. Na sexta, na Sessão da Tarde da Globo, comecei a rever Enrolados e não consegui mais desgrudar o olho. Viajei com a Rapunzel de Byron Howard e Nathan Greno e me desculpe o Fábio Porchat, que dubla Olaf na história das princesas Elsa e Anna. Há muito não via um personagem de animação tão engraçado e cativante como o cavalo da guarda Max(imus), que se alia ao fugitivo Flynn Rider – acho que desde o rato que queria ser chef de Ratatouiille não experimentava essa empatia. Adorei! Ainda no quesito ‘revisão’, estava zapeando ontem à noite quando entraram as imagens do Robin Hood de Kevin Costner – O Príncipe dos Ladrões, direção de Kevin Reynolds. O duelo final entre o herói e o xerife de Nottingham, interpretado por Alan Rickman, deve ser o pior duelo de espada da história do cinema, e não no sentido de que seja mal coreografado e filmado. Atropelando a lenda, Reynolds mostra dois caras que não manjam nada de esgrima e destroem, com sua falta de foco, o ambiente da luta, como se fosse uma comédia pastelão. Me deu vontade de rever o filme inteiro – revi só o fim – e, quando entrou Sean Connery como Rei Ricardo, não pude deixar de pensar no ex-007 e em Audrey Hepburn em Robin e Marian, a versão crepuscular e desmistificadora de Richard Lester, sobre o reencontro do casal na idade madura, depois que ela entrou para o convento. Minha cabeça anda fervilhando com sugestões de clássicos para manter a série viva.

Tendências: