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Odeio? Dia dos namorados!

Luiz Carlos Merten

12 de junho de 2013 | 09h33

Não sei como foi a bilheteria de Odeio Dia dos Namorados no fim de semana, mas presumo que o filme não tenha ‘explodido’. Se tivesse, saberia, com certeza.  Mas a comédia de Roberto Santucci com Heloisa Perissé é uma boa pedida, especialmente hoje. Fui à padaria tomar café, como sempre. Passava no metrô, ao vivo, diretamente de alguma estação de metrô – o sujeito ajoelhado, pedindo a garota em casamento e a multidão urrando de prazer. Nos últimos dias, não propriamente no metrô, mas nas ruas, o que temos visto no transporte público – o preço das passagens – tem sido outra coisa. Ah, o romantismo. Santucci começa o filme dele de forma deveras original. O pretendente arma um circo, monta um musical para pedir a mão da amada e ela… Vão lá ver, se quiserem saber.  Volto à Positif de abril. Não sou muito de ler as revistas, nem quando as compro. É noia de colecionador. Nas suas notas de leitura, Positif dá conta de dois lançamentos. Um livro de Olivier Curchod e Armand Colin que desvenda o método de Jean Renoir – Pleins feux sur Partie de Campagne e La Grande Illusion – e outro, uma obra coletiva, dedicada a Otto Preminger por acasião da grande retrospectiva que Locarno lhe dedicou no ano passado. Entre os que assinam os textos está Chris Fujiwara, autor de The Life and Work of Otto Preminger – The World and Its Double, um dos maiores livros de cinema que já li – 500 páginas e nenhuma remissão de rodapé – e acrescento que tive o prazer de cumprimentar o autor, quando ele, integrando o júri da Fipresci, outorgou o prêmio da crítica a A Vida de Adèle, em Cannes. Há, no livro coletivo, um artigo que não conheço, mas que é considerado uma obra-prima à altura do filme, de Serge Daney a respeito de Tempestade sobre Washington e o resenhador, Jean-Loup Bourget, lembra que, na fase de capa amarela de Cahiers du Cinéma, Jacques Rivette comparava Preminger a Kenji Mizoguchi e dizia que ele era o maior cineasta do mundo. Bourget também informa que Bom-Dia Tristeza acaba de sair nos EUA, em DVD e Blu-ray, numa versão restaurada, cheia de extras. O ‘meu’ Preminger é o da fase épica, dos grandes afrescos sobre política, mostrando o conflito entre o homem e a instituição. Exodus é a glória. Mas na fase mais intimista, não existe filme mais belo que a adaptação de Françoise Sagan. Ela encarnou a nova onda, na literatura antes que a nouvelle vague irrompesse no cinema. Jean-Luc Godard deve a Preminger a descoberta de Jean Seberg, que virou mito. As imagens dela nos Champs Elysées, vendendo jornais… Já andei naquela avenida tentando refazer, no meu imaginário, os passos e, mais que isso, o diálogo de Michel e Patriciá, isto é, Jean-Paul Belmondo e Jean Seberg. Divago, mas só queria dizer que os créditos de Bom-Dia Tristeza, by Saul Bass, se constituem num filme à parte e são, talvez, os melhores do cinema.

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