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O (verdadeiro) Fio da Meada

Luiz Carlos Merten

16 de setembro de 2019 | 22h46

Cá estou depois de um movimentado fim de semana no Rio. Trabalhei – na sexta e no domingo – na sucursal, fui ao teatro e cinema, almocei com amigos – amigas. Kika Freire e Emília Santiago. Acho que preciso fazer isso mais vezes. Sair, não propriamente para ‘descansar’, mas para me afastar de certas coisas. Assisti ao documentário de Sílvio Tendler, O Fio da Meada, e estou de acordo com a Emília, ela própria grande documentarista – é dos melhores que ele fez. A direita bolsonarista dirá que Sílvio é um xiita na sua crítica ao estado do mundo. Consumismo desenfreado, sistema econômico excludente, desigualdade social, progressivos ataques à natureza. Essa gente não sabe o que é bem comum. Rios, florestas, dos quais dependem o equilíbrio ecológico e a sobrevivência do planeta. São predadores. Só querem saber de lucro, transformar tudo em dinheiro. Adolfo Pérez Esquivel, Guilherme Boulos, Raquel Rolnik, Boaventura de Souza Santos. Dizem as coisas sensatas que as pessoas não querem ouvir. Agro é tech, agro é pop. Transgênicos criam commodities, não alimentos. Leio no jornal que determinadas tribos indígenas estão contaminadas – seus integrantes – pelo mercúrio dos garimpos ilegais e morrendo de fome, porque as florestas, dilapidadas, não produzem mais alimento. Quem se importa? Quantos milhões de brasileiros – 55? – acreditam que isso é mentira. Estão procurando a fake news no lugar errado. O filme de Sílvio Tendler não é somente informativo, engajado. Esteticamente, é muito bem elaborado, muito bem montado, gostei.

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