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O vencedor da Palma de 1961 e o da Mostra Aurora em 2014

Luiz Carlos Merten

27 de fevereiro de 2016 | 08h41

Estou de volta em São Paulo desde ontem pela manhã. Cheguei e foi um dia corrido, não tive tempo de postar. Vou validar um post que escrevi no aeroporto, na França. Ao tentar validar/publicar, caiu a conexão, mas mesmo assim eu esperava que tivesse entrado, só que não entrou. Vamos lá – Um último post de Paris (nesta viagem) para dizer que estou no aeroporto, voltando. Nem tive tempo de dizer que preenchi uma lacuna vendo Une Aussi Longue Absence, longa de Henri Colpí que dividiu com Viridiana, de Luis Buñuel, a Palma de Ouro de 1961. Colpi foi montador de Alain Resnais, de seus curtas e primeiros longas. Muita coisa desse filme remete a Hiroshima, Meu Amor. Roteiro de Marguerite Duras, a herança da guerra, o passado. Uma mulher crê identificar num vagabundo desmemoriado o marido que foi deportado pelos alemães e perdeu-se, na história e no mundo. Alida Valli e Georges Geret. A longa ausência do título é a do próprio filme, que sumiu do imaginário coletivo para ressurgir agora, restaurado, 54 anos depois. Na época, a nouvelle vague não reconhecia Colpi como integrante do movimento e isso ajudou o filme a entrar no limbo. Foi o preço a pagar por ter vencido Cannes, um pouco como ocorreu com Anselmo Duarte, em relação ao Cinema Novo, no Brasil. A maldição de Anselmo foi ter ganhado a Palma, com O Pagador de Promessas. A de Colpi, também. Vejam que dos grandes autores da nouvelle vague, somente Jacques Demy, com Os Guarda-Chuvas do Amor, ganhou a Palma. Espero voltar a falar de Henri Colpí e de seu filme, que me causou estranhamento. O curioso é que há uma artificialidade em Une Aussi Longe Absence que me lembrou mais Jacques Prévert (e Marcel Carné) que Duras. Alida e Geret dançam no café, um desesperado esforço da mulher, em seus braços, para fazer com que ele se lembre. Bonito, mas… O problema dessa ausência tão grande é o ‘mas’. Preciso fazer também um lembrete. Estreou hoje (quinta-feira), em São Paulo, A Vizinhança do Tigre. O longa de Affonso Uchoa venceu a Mostra Aurora de 2014 – só para lembrar, também concorria Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós. Dois filmes das quebradas. Não se trata de jogar um contra o outro, mas prefiro o de Affonso, que está entrando num circuito periférico, mas já teria sido um dos meus dez mais de 2015, se tivesse estreado antes. Quem sabe um dos melhores de 2016, com o Béla Tárr? Espero chegar bem em São Paulo para correr atrás do Affonso. Para entrevista-lo e ver se a gente crava uma matéria no Caderno 2 de sábado.