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O trem de Kar-wai

Luiz Carlos Merten

08 Fevereiro 2013 | 17h30

BERLIM – Voces me desculpem pela ausencia, mas os dois ultimos dias foram complicados. Cheguei aqui e o mal-estar que jah vinha sentindo em Paris – tosse, dor nas costas, peito congestionado – , piorou muito. Ontem, em plena abertura, com filme, coletiva e os textos que estaoh hoje no Estado, incluindo a critica de O Voo (em que Denzel Washington e Melissa Leo estaoh geniais), precisei acionar o seguro, que marcou de um medico me visitar no hotel. Tive de esperar uma hora e meia, mas o cara, um iraniano, foi bem legal, mas nao encontrava um dos remedios que ele receitou e continuei passando mal aa noite. Hoje pela manah, achando que tinha piorado, fui a um centro de saude que o Joseh Carlos Avellar me recomendou. Disseram que eh asma ou bronquite, o pulmao estah bem e mantiveram a medicacao do iraniano. Jah estou me sentindo melhor, mas a correria foi grande, porque hoje jah tive tres filmes e daqui a pouco vou ver o quarto. Isso mais radio, materia, espera no centro de saude, nao foi facil. Deixem-me dar uma geral. Gostei do Wong Kar-wai exibido na abertura, The Grandmaster, a cinebiografia de Ip Man, que foi o guru de artes marciais de Bruce Lee. Mas sou suspeito – adoro artes marciais e nem me passa pela cabeca de ser do tipo qure pergunta o que um filme de genero faz num grande festival? Na verdade, foi a melhor coisa que vi ateh agora e o proprio Kar-wai diz que se trata de um sonho de muitos anos etc. O filme eh Cinzas do Tempo 2, dando continuidade aquele outro filme de acao dele, o de espadachim. Fala de tudo – artes marciais como filosofia de vida, amor (senao nao seria de Kar-wai), conta a historia da China por meio dos destinos individuais. Tres cenas me deixaram chapado – quando Tony Leung, o Ip Man, prepara o retrato de sua familia, que serah dizimada; quando ele luta com Zhang Ziyi e ela voa sobre ele, ficando cara a cara e quase tocando os labios – vai ser tudo de proximidade que teraoh numa vida inteira (me amarro nessas tragedias); e finalmente, a luta dela para recuperar a honra da familia, que dura o tempo da saida de um trem da estacao. Deve durar uns dez minutos, e aquele trem passa ateh agora na minha cabeca. O tempo como experiencia subjetiva. O velho Bergson, que jah alimentou Eisenstein, inspira agora Wong Kar-wai. O post estah enorme. Vou cortar.