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Ó tédio!

Luiz Carlos Merten

29 de outubro de 2013 | 17h41

Fui ver ontem à noite Cães Errantes e fiquei consternado. Ouço dizer que o filme fez sensação em Veneza, o que somado ao Leão de Ouro para Sacro Gra me permite dizer que deve ter sido um festival de m… Tsai Ming-liang parecia bem interessante há 19 anos, quando ganhou o Leão de Prata por Vive l’Amour – eu estava lá, a propósito. Ele também tinha um ator, Lee Kang-cheng, que era bem bonito e segurava todas as suas audácias estéticas, e elas não eram poucas. Mas, à força de tanto querer ser anti-Hollywood, Tsai fossilizou-se  numa maneira bem pouco inteligente de estender o tempo. Envelheceram ambos, e mal – o pobre Lee, obrigado a segurar aquela tabuleta na esquina ventosa de Cães Errantes, e o estilo de Tsai. Pegando carona na publicidade da revista Bravo – para quem tem um parafuso a mais -, diria que é preciso ter um (não, muitos) menos para achar validade no novo Tsai. Confesso que deixei o Cine Livraria Cultura ontem sem bússola – socorro! -, mas hoje pela manhã tive o privilégio de tomar café com Amos Gitai. Aqui, o buraco é mais embaixo. Conversamos sobre o seu belo Ana Arábia, e lhe fiz o que ele considera o maior elogio a seu filme. Não meu, sozinho, mas ele fica superfeliz quando lhe dizem – outros já disseram – que o filme é tão bom que a gente até esquece que foi feito num plano-sequência de 81 minutos. Vira secundário, e é assim que deve ser. Só doido para achar que o tempo estendido de Tsai Ming-liang ou o one shot de Amos devem ser mais importantes que os personagens, a reflexão, ouso dizer – a história. Não quero histórias tradicionais, atenção, mas quero/espero coisas que me intriguem, inspirem, estimulem e não ‘chatices’ de vanguarda autoral ultrapassada. Como a vida continua, além da Mostra, fui ver hoje, depois do encontro com Amos, o novo Thor. Legal, como gibizão, mas não vale o Man of Steel de Zach Snyder, que tinha muito mais dramaturgia (sim!). O melhor do filme é a relação dos dos irmãos, Thor e Lóki, mas embora pensando até agora ainda não consegui entender como se dá o twist final – nem os roteiristas e o diretor devem saber como Loki… Vejam. Gostaria muito de ver a versão restaurada de O Deserto dos Tártaros, mas descobri que, justamente hoje, e no mesmo horário, faço a mediação do debate com Michel Ciment sobre outro clássico restaurado da 37.ª Mostra, Plein Soleil/O Sol por Testemunha, de René Clément. E nem tive tempo de contar que gostei muito de conhecer Diego Quemada-Diez, o diretor de La Jaula de Oro, pré-selecionado pelo público para disputar o troféu Bandeira Paulista. Ah, sim. Se alguém procurou a crítica de O Conselheiro do Crime no Caderno 2 de hoje, ela caiu, para acomodar o novo capítulo da discussão sobre as biografias. Mas sai amanhã, espero!, e o que é melhor, com seu tamanho restaurado. O melhor Ridley Scott – sorry para quem não pensa assim – merece.

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