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O tal ‘cinema’?

Luiz Carlos Merten

11 de novembro de 2013 | 19h02

Tem alguma urucubaca aí que não estou conseguindo entender. No Festival do Rio, houve sei lá que problema com a primeira exibição de Educação Sentimental e o longa de Júlio Bressane foi reprogramado, mas eu estava ‘atrolhado’ de projeções e entrevistas e perdi. Deixei para ver na Mostra, mas também não deu. De novo as entrevistas, que me obrigavam a ver certos filmes. Hoje, tomei café da manhã com os garotos de Tatuagem – Jesuíno Barbosa e Rodrigo Garcia – e corri para a cabine de imprensa de Educação Sentimental. É hoje! antecipava, mas ela foi suspensa porque a cópia (em 35 mm) estava em trânsito. Mas, que diabo, não vou conseguir ver o filme? Tenho, admito, uma relação conflitosa com certos filmes de Bressane – ele sabe -, mas não me perguntem como nem por quê. Não saberia explicar, ou não conseguiria, mas sinto em mim um movimento de simpatia pelo filme, a partir de fotos, do título, sei lá. Estou, como costumo dizer, nos cascos para ver Educação Sentimental. Mudando um pouco o foco, apesar do desempenho insatisfatório de alguns filmes ambiciosos na bilheteria – Serra Pelada, O Tempo e o Vento etc -, o ano está sendo bom para o cinema brasileiro e pode ter ficado melhor no dia de hoje, com a já tradicional promoção da rede Cinemark, o Dia do Cinema Brasileiro, só com filmes nacionais a preços populares (R$ 3). Não tive tempo de postar nada antes, mas espero por resultados positivos e torço para que justamente as grandes decepções – os filmes de Heitor Dhalia e Jayme Monjardim – tenham uma segunda chance. Tenho pensado muito no que poderá ser a minha lista de melhores do ano. Com certeza ela vai ter dois blockbusters (Gravidade e Homem de Aço), uma animação (Zarafa), um e talvez dois filmes portugueses (o Oliveira, Angélica, antes que o Tabu de Miguel Gomes), um espanhol (Blancanieves) e os restantes, quatro ou cinco, serão filmes brasileiros. O Bressane? Não sei, porque não vi, mas a Lina Chamie, São Silvestre, já tem cadeira cativa. O Som ao Redor? Provavelmente. Faroeste Cabloco? Talvez. E pasmem – estou pensando seriamente em colocar Minha Mãe É Uma Peça entre os meus melhores. Não, não é concessão nem exotismo. Me emociona a visão que Paulo Gustavo e o diretor André Pellenz têm da família, adoro aquele elenco e vou dizer agora uma coisa que vai deixar meio mundo me achando maluco. O filme do Paulo Gustavo já havia estourado na bilheteria quando encontrei Walkiria Barbosa no Festival do Rio e lhe disse uma coisa na qual acredito piamente. Há quantos anos? Quatro? Cinco? A Guerra dos Rocha – da Total Entertainment, da Walkiria -, produziu um estranhamento com o Ary Fontoura como ‘matriarca’ de uma família disfuncional, mas eu, que gosto demais do Ary no papel, acho que hoje o público estaria preparado para isso e A Guerra dos Rocha poderia fazer o sucesso que não teve. Por falar em interpretações, cada vez que penso numa grande atuação feminina em 2013, o primeiro nome que me vem é o de uma veterana que, há anos, se beneficiava da beleza madura, mas não fazia nada que lhe exigisse dramaticamente. Este ano, Charlotte Rampling saiu do sério e arrasou em Eu, Anna, dirigida pelo filho, Barnaby Southcombe. Seu grito de desespero no desfecho ecoa nos meus ouvidos – me assombra. E o ator? Não contem comigo para incensar o Lincoln de Daniel Day-Lewis. Prefiro o Capitão Phillips de Tom Hanks, mas bom mesmo… Aquele cara de capa? Que voa? Nunca houve nem vai haver um Superman mais ‘doloroso’ que o Henry Cavill, mas a grande cena do filme de Zach Snyder não é com ele, mas com Kevin Costner. O pai que antecipa, na criança, o futuro herói. Eu, que tenho meus preconceitos, mas não com estilos, formatos, gêneros, não me ‘avexo’ de dizer que aquela cena sozinha vale, para mim, uma mídia. O tal ‘cinema’?

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