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‘O Sequestro do Metrô’

Luiz Carlos Merten

29 de agosto de 2009 | 11h00

Confesso que tenho certo carinho por Joseph Sargent, e não apenas por ele. Os anos 60 viram surgir no cinema norte-americano alguns diretores que eram interessantes, Sargent, James Goldstone. O Sargent, em especial. Ele era muito talentoso e fez filmes como ‘Colossus 1980’, uma ficção científica que eu adorava, na vertente de ‘2001’, sobre supercomputador que assume o pode e controla todo mundo (como Hal-9000). Depois, Sargent fez ‘O Seqüestro do Metrô’, e o filme era muito violento para os padrões de 1974/75, e isso embora já houvesse o antecedente de Sam Peckinpah. Não sei se por falta de apoio, ou o quê, mas Sargent terminou indo para a televisão, onde poderia ter se transformado num rotineiro realizador de telefilmes, se não tivesse feito aquele filme forte sobre aids, como é mesmo o título? Tudo isso é para dizer que não botava muita fé no novo ‘Sequestro do Metrô’, com Denzel Washington e John Travolta, mas o filme se revelou bem mais interessante do que esperava. Vi-o ontem à tarde, numa sessão exclusiva, sorry. Tony Scott carrega sempre no visual, mas é um diretor que, no limite, tem uma idéia do embate entre o homem e a instituição, que percorre seu cinema. Não saberia exatamente dizer qual é o número deste filme, entre todos os que fez com Denzel – quinto? sexto? -, mas a parceria de ambos tem algumas coisas que mexem comigo, como o ‘Chamas da Vingança’, em que o astro faz guarda-costas de uma garota norte-americana que é seqüestrada na Cidade do México. O resgate dá errado, a garota é considerada morta e Denzel parte para a vingança, até porque é um homem atormentado, em busca de redenção. O desfecho da trama envolve a responsabilidade – culpa? – do pai. Denzel faz agora um pai que pisou na bola e também precisa se redimir. Ele enfrenta problemas no trabalho, em casa. Quando seu oponente, John Travolta, que fez o tal seqüestro do metrô, lhe pergunta como a mulher reagiu às acusações contra ele, Denzel responde que ela apoiou. É amor, diz Travolta. Não, é casamento, observa Denzel. É uma coisa serena, de aceitação, não de empolgação. A relação com a mulher tem, aliás, um desfecho sutil – uma história de um galão de leite -, que eu não vou antecipar para não induzir vocês a verem o filme do mesmo jeito que eu. Mas o realmente curioo do filme é o desenho do personagem de Travolta, um daqueles yuppies dos anos 80 que foi parar na cadeia e agora planeja um golpe no qual o sequestro é só a ferramenta para algo muito maior, que envolve a economia global. Tony Scott está querendo dizer que é nela que está a verdadeira bandidagem e coloca a origem lá no alvorecer do neoliberalismo, com Reagan, Thatcher (e Pinochet no Chile). Travolta vê os reféns que ameaça matar como ‘commodities’. Claro que o visual tem aquela imagem carregada de que Tony Scott gosta, e aquelas acelerações, mas tudo isso é integrado às necessidades dramáticas, embora seja discutível, reconheço. Mas o que me fez ver alguma coisa em ‘O Sequestro do Metrô’, confesso que foi a dupla principal. Denzel e Travolta estão muito bem. Ultimamente, eu vinha achando Travolta insuportável. Foi uma boa surpresa para mim ver como ele ainda tem bala.

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