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O Sal da Terra

Luiz Carlos Merten

17 de abril de 2014 | 10h46

Embora o Brasil não participe da competição pela Palma de Ouro deste ano, isso não significa que estará ausente da Croisette. Ainda falta divulgar a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica, e a segunda, em especial, tem tido uma ligação muito forte com a novíssima geração de autores nacionais. O Brasil, de qualquer maneira, estará representado na mostra Um Certain Regard por uma coprodução franco-brasileira, The Salt of the Earth, O Sal da Terra, assinada por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Depois de Revelando Sebastião Salgado, em que Betse de Paula fez um retrato afetivo do grande fotógrafo, mostrando-o na intimidade, chega agora a vez de Wenders, cineasta e ele próprio fotógrafo, tentar decifrar a figura (e o trabalho) do homem, o artista, o mito. Sebastião Salgado é uma referência da fotografia moderna pela excepcional beleza de suas imagens, mas também é discutido por fazer aquilo que costuma ser definido como ‘cosmética da miséria’. Nada é fácil, e Wenders, que o admira, deve ressaltar o trabalho de Salgado ligado a questões ambientais que também lhe interessam. Ele codirige com Juliano, filho de Sebastião, que também deve usar o filme, presumo, para uma aproximação com esse pai, que por força do próprio trabalho, esteve muitas vezes ausente. Nada disso me foi confiado por quem quer que seja, é só uma suposição que a visão do filme talvez confirme, ou não. Nos post anteriores, falei que existem dois argentinos na seleção oficial – um na competição e outro em Certain Regard. O júri de Um Certo Olhar será presidido pelo diretor argentino Pablo Trapero, a quem caberá avaliar The Salt of the Earth e o Sin Titulo de Lisandro Alonso. Que venha logo o festival!

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