As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O reino dos céus (e da Terra)

Luiz Carlos Merten

28 de novembro de 2020 | 09h15

Foi um tremendo ato falho. Ao abrir ontem o blog tomei um susto – dei o título de Pelé! ao post que era sobre Diego Maradona e deveria ter o nome dele. Freud que explique. Não ando sabendo nem sobre o que falar aqui no blog. Cinema? No Brasil que parece afundar cada vez mais, tornou-se supérfluo. O governo, todo dia, toma decisões, especialmente no meio-ambiente e nas relações internacionais, que afrontam o bom-senso. São crianças birrentas – ‘Eu quero, eu posso, eu faço’ Paulo Guedes é um economista ortodoxíssimo, os 00s acrescentam lenha à fogueira e o Pantanal simbólico ainda vai queimar por muito tempo. Os sintomas da Covid foram falsos, o teste terminou dando negativo – saiu ontem no fim da tarde. Relaxei tão visivelmente ao telefone que minha filha captou tudo – ‘Bom, vamos então voltar aos cuidados e tentar não fazer m… de novo.’ Liguei ontem para meu querido amigo George Moura, o Sr. Anna Luiza Muller, que comemorou no Recife, com os pais, a mulher e os filhos, seu 57º aniversário. E chego ao que será o tema do post. Revi uma noite dessas – entrei pela madrugada – o épico Cruzada, de Ridley Scott. É um dos cineastas que me desconcertam e sobre os quais nutro sentimentos contraditórios. Ridley construiu a fama de criador de mundos com filmes como Os Duelistas, Alien – o Oitavo Passageiro e Blade Runner, o Caçador de Androides. Alien deu origem a uma série, com sequências e prequels pelas quais, as dirigidas pelo próprio Ridley, fui me desinteressando mais e mais. Tenho as minhas preferências na obra de Ridley Scott e elas poderão surpreender – Falcão Negro em Perigo, Cruzada e o mais simples de seus filmes, O Bom Ano, que nem parecia dele quando surgiu. Falcão Negra, surgido em 2005, era tudo menos o épico guerreiro que a maioria da crítica viou na época. Era, pelo contrário, uma autópsia kubrickiana da guerra. Cruzada, originalmente Kingdom of Heaven – O Reino dos Céus -, usa a grande histórias com liberdade para encarar temas contemporâneos. Jerusalém abriga pontos referenciais de três religiões, e é em cima disso que, no limite, terminam negociando Balião/Orlando Bloom e Saladino/Ghassam Massoud. Não me lembrava do detalhe do rosto, comido pela doença, que o rei leproso esconde por trás daquela máscara e Sibilla/Eva Green descobre por um breve momento. O curioso é que terminei de rever Cruzada pensando no Elia Suleiman. Resolvi fazer logo esse post porque ele estava numa fila imaginária, bloqueando os demais.

Tendências: