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O que vem por aí

Luiz Carlos Merten

31 Julho 2016 | 13h18

Já estou de volta a São Paulo, depois de um bate-e-volta em Nova York para a junket de Suicide Squad, Esquadrão Suicida. Três dias, duas noites, alguns filmes, muitas entrevistas, livros, revistas. Tudo o que você queria saber sobre Stanley Kubrick, o homem – o artista vem sendo dissecado há tempos -, Emilio D’Alessandro conta em Stanley Kubrick and Me – Thirty Yeras at His Side. Outstanding. L’Unità chega a dizer que se trata póssivelmente do livro mais importante escrito sobre o grande diretor. Não detalhes sórdidos, mas um retrato sincero, apaixonado, amigo do homem e do artista. D’Alessandro obviamente o admira, mas não é uma adoração cega. Captura o gênio no cotidiano, mas também põe sentimento no seu retrato. Estou lendo, e adorando. Antes tinha de terminar Jack Reacher – Miragem em Chamas, o novo Lee Child, que levei do Brasil. Não sei de vocês, mas Child me parece o maior autor policial da atualidade. Reacher é durão – um cara severo em termos de ética e 1m95 e 115 quilos de músculos para enfiar porrada em quem merece. Miragem em Chamas é, ou não deixa de ser, sobre a relação entre a elite texana e os mexicanos, de quem roubaram o território. Há tempos não lia uma daquelas frases de antologia que funcionam tão bem no cinema – ‘Play it again, Sam.’ A casa dos ricos incendeia no final. O fogo a destrói, completamente. A matriarca e o filho sobrevivente veem a Red House, como é chamada, ir por terra. O filho pergunta, infantilmente – ‘O que é que a gente vai fazer?’ E Reacher crava – ‘Vão morar no estábulo, quie é o lugar de gente como vocês.’ Há um novo filme de Jack Reacher a caminho. Tom Cruise volta ao papel. Depois de O Último Tiro, gostaria que fosse Miragem em Chamas, mas é Sem Retorno, No Way Back. O filme assinala o reencontro de Cruise com seu diretor em O Último Samurai. Edward Zwick tende a ser subestimado, mas Diamante de Sangue dá de dez em qualquer das bostas que Leonardo DiCaprio fez com Martin Scorsese, mas os coleguinhas, que pensam em bloco – uma maneira piedosa de dizer que não pensam -, não vão concordar, claro. Sem Retorno foi um dos ‘trocentos’ trailers que vi nos últimos dias. Vamos ter, nos próximos meses, uma overdose do outro Tom, o Hanks. Um Holograma para o Rei, de Tom Tykver, Inferno, de Ron Howard, adaptado de Dan Brown – a volta de Robert Langdon -, e culminando tudo isso, o novo Clint, Sully. Quem me segue no blog sabe que gosto demais de Antoine Fuqua, o mais hábil ‘montador’ da nova geração de cineastas dos EUA. Fuqua é, neste sentido, ‘kubrickiano’. Cinema é montagem, dizia o grande Stanley. Fuqua e Denzel Washington estão juntos no remake de Sete Homens e Um Destino/The Magnificent Seven, do grande John Sturges. A volta com estilo do western. A negritude no Wild West. Torço para que o filme seja bom, e ainda tem Chris Pratt, a mais perfeita encarnação do aventureiro à maneira de Howard Hawks, no cinemão atual. Minha pergunta que não quer calar – vai haver uma sequência de Jurassic World. Dallas Bryce Howard voltará ao salto alto? Espero que não, porque o casal hawksiano que Pratt e ela formam nasce desse embate de ambos com a natureza. O homem (Sean Mercer/John Wayne, Hatari!) mede-se com a natureza. A mulher (Dallas/Elsa Martinelli) identifica-se com ela no mesmo filme, bancando a mãe do elefantinho. Confesso que vem coisa por aí no cinemão que me deixa nos cascos. E nem estou falando do cinema dito ‘autoral’, como se esse, sobre o qual falei até agora, no post, não fosse. Não aguentei e fui correndo ver Amor e Amizade, que Whit Stillman adaptou de Jane Austen, com Kate Beckinsale como ‘Lady Susan’. Shakespeare ‘é’ universal. Por meio dele, entende-se o humano. Para entender a Inglaterra, e seu sistema de classes, ninguém como Jane Austen. Parece frívola, com todos aqueles quiprocós amorosos. É dura feito aço. Stillman fez o belo trabalho – nuançado, elegante – que eu esperava do diretor de Metropolitan, Barcelona e Last Days of Disco.