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O que Ryan Reynolds tem a ver com isso? Uma viagem de Esquadrão 8 a Free Guy

Luiz Carlos Merten

29 de dezembro de 2019 | 12h46

Desisti de entrevistar Ryan Reynolds quando esteve na CCXP porque teria de ver Esquadrão 8 numa sessão de fãs no Auditório Ibirapuera e achei que seria demais. Tenho de admitir que vivo num casulo, um mundo à parte. Outro dia perguntei por fulano no jornal. Havia sido demitido. E sicrano, beltrano. Todos. Só eu não sabia. Terminei assistindo a Esquadrão 8 na casa da Lúcia, que tem Netflix. Lá pelas tantas, apesar do roteiro à Deadpool, pensei que parecia um filme de Michael Bay. No final, veio a surpresa. Era um filme escrito pelos caras de Deadpool e dirigido pelo Bay. Dei-me conta de que, na espera por alguma daquelas entrevistas da CCXP, o Alberto Sadovski havia falado no filme do Bay, mas não tinha feito a ligação. Gosto muito de literatura de antecipação, quase sempre distópica, mas não de jornalismo idem. Esses sites de entretenimento estão sempre querendo dar primeiro as informações sobre o mundo pop. Não leio, não tenho interesse. É uma pena que tenha entrevistado o trio John Beyoga/Daisy Ridley/Oscar Isaac sem ter visto Episódio IX. Não tinha muito o que perguntar, nem o trailer havia visto. Foi algo nonsense, admito. Com JJ foi mais fácil. É um autor, e o filme é autoral, sei como me movimentar nesse universo. O que quero fazer é um mea culpa. Deveria ter visto Esquadrão 8, deveria ter entrevistado Ryan Reynolds. Mas gostaria sobretudo – não, não é o casacão – de entrevistar Michael Bay de novo. É um autor, não apenas diretor, intrigante. Tenho certeza de que ele sabe os filmes que faz, por que faz, e os críticos não entendem. A maioria pensa que ele é um norte-americano babaca fazendo filmes para devolver, à maneira de Donald Trump, a América à sua grandeza, mas é o oposto. Há muita bandeira esfarrapada no cinema de Bay e se ele gosta tanto de Monument Valley é porque identifica ali o elo perdido. John Ford. Quanto custa construir uma civilização e como é fácil perdê-la. O Homem Que Matou o Facínora, a grandeza dos derrotados. John Wayne/Tom Doniphom, vivendo nas sombras, como um fantasma. Como Ryan Reynolds. Pode uma vida inteira ser compensada numa rápida troca de olhares? Ryan e o filho, dez/15 segundos perdidos (reencontrados?) ao longo de duas horas de pancadaria. Tergiverso, eu sei. Contei que havia comprado a Empire com a preview 2020. Os grandes lançamentos, na perspectiva do cinemão, anunciados para o ano que vem. Tenho certeza de que surgirão pequenos (grandes) filmes muito melhores que os listados, mas não deixei de me interessar por alguns. Alejandro Jodorowsky queria adaptar Dune, mas quem fez o filme foi David Lynch. Não sou lynchiano de carteirinha. Gosto pontualmente de alguns filmes dele, e em geral dos menos bizarros – História Real. Mas havia gostado de O Homem Elefante e Veludo Azul e por isso fiquei tão desconcertado com sua versão de Duna, intermediário entre os dois. A impressão que tenho é de que todo Lynch estava no filme, mas deslocado, externalizado, sem sentido. Haverá agora um novo Duna, com Oscar Isaac, Timothée Chalamet, Rebecca Ferguson, Jason Momoa e Javier Bardem – só pelo elenco já estou gostando e torcendo para que seja bom. Haverá um novo Doutor Dolittle, com Robert Downey Jr., de volta ao original de Hugh Lofting e escrito e dirigido por Stephen Gaghan – aquele que ganhou o Oscar pelo roteiro de Traffic e dirigiu Syriana. Não parece a melhor escolha para um filme sobre um médico que fala com animais, e num contexto de época, mas foi o que alimentou minha curiosidade. E o Ryan Reynolds, figura central do post, com aqueles seus olhos feridos, de cachorrinho pedindo afago. Ryan estrela Free Guy, como um herói de videogame. Nâo, o diretor Shawn Levy não adaptou nenhum videogame porque acha/sabe que é impossível para o espectador de cinema compartilhar a experiência, mas localizou sua trama num universo ficcional de videogame, em que Reynolds tem de lutar por sua identidade. Todo mundo acha Shawn Levy um diretor de comédias tolas, mas eu sempre achei muito interessante o universo noturno de seus filmes, de Uma Noite Fora de Série, com Steve Carrell e Tina Fey, à série Uma Noite no Museu, com Ben Stiller, e estou ignorando Stranger Things, que ele fez na TV, até porque nunca vi, mas virou cult. Gosto dessa concepção que Levy tem da noite e do que ela traz, ou liberta. Espero que esteja em Free Guy. Para terminar o post com os prognósticos, Last Night in Soho. Depois da trilha de Baby Driver, o diretor Edgar Wright viaja a uma década que não viveu, a de 1960, e com uma personagem feminina. Essa mulher, uma cantora e modelo, abre uma fenda para Soho, em Londres, há 50 e tantos anos, e vai parar num mundo de sexo, drogas e rock’n’roll, mas com mortos-vivos. Zumbilândia. O horror, o horror, mas com Edgar Wright pode ser bem bacana.

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