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O que nos… salva?

Luiz Carlos Merten

16 Agosto 2016 | 09h27

Tenho feito belas entrevistas por telefone – com Paolo Virzì, por Loucas de Alegria, que integra o Festival do Cinema Italiano, que começa na semana que vem; com Marcelo Pedroso, por Brasil S/A, do qual gostei bastante; com Marie Belhomme, diretora de Sonhando Acordada, uma comédia muito simpática com Isabelle Carré, que estreia nesta quinta, 18. Localizei Virzì em Atlanta – ele ‘gira’ um road movie atravessando os EUA, rumo à Flórida. Falamos do cinema dele – o ótimo Capital Humano – e de Rocco e Seus Irmãos, que Virzì definiu como ‘nossa autobiografia nacional’, a história da família italiana. E ontem visitei o set de O Som do Silêncio, o novo André Ristum, que se passa todo na Bela Vista e a locação era um apartamento da Augusta. Chovia, quando cheguei ao local, e o apê estava escuro, atopetado de coisas como a alma da personagem fodida de Marieta Severo. Marieta! Conversamos sobre a vida dela pós-Nenê, de A Grande Família, sobre Paris, cidade que amamos, teatro e cinema. Lá pelas tantas, perguntei como ela via a situação toda. ‘O Brasil? O que você quer, que eu grite Fora, Temer? Fora, Temer!’ Está cada vez mais difícil, e eu que nunca fui leitor de Veja vi ontem uma capa da IstoÉ que não serve para limpar… Vocês sabem o quê. Começa com C. Nesse quadro de desalento – só sendo muito alienado para não ver ou apoiar o retrocesso -, as histórias de superação da Olimpíada têm sido um alento. Entrevistada para o site dele de teatro infantil – pecinha é a vovózinha, grafado tudo junto, pecinhaeavozozinha -, uma diretora de teatro disse ao Dib (Carneiro Neto) uma coisa que me tocou. Está indo ao Rio com o filho para ver qualquer coisa dos Jogos, só para o menino poder gritar ‘Brasil!’ com vontade. O orgulho de ser brasileiro. Anda difícil. Não sabia que Eddie Redmayne veio ao Brasil para a abertura dos jogos, trazido por não sei quem. Mas me mostraram uma entrevista dele elogiando a festa. Garota de Ipanema! Gisele Bündchen! Fernando Meirelles, espero que não esteja fazendo inimigos, criticou a Gisele que andou devagar na maior passarela do mundo. Deixou subentendido que estragou o timing e a encenação dele. E eu que de tão embevecido achei que aqueles segundos entre o fim da música e ela andando eram intencionais (e deslumbrantes)! Até delirei. Segundos são decisivos e fazem a diferença nos recordes mundiais. Achei que fosse isso. Não era. Como André Bazin, que achou a análise dele de um clássico de William Wyler (Pérfida/Little Foxes) melhor que o filme, achei que a ‘nossa’ abertura, da Gisele e minha, também foi melhor. Brinco – foi lindo. Mas a coisa não anda fácil. Estamos numa fase de ‘denúncias’ beeemmm seletivas. Dependendo do denunciado, somem do noticiário com rapidez vertiginosa. E, enquanto isso, os Jornalistas Livres documentam a polícia de São Paulo batendo que é uma beleza. Ainda bem que existe a Olimpíada. O Brasil estaria muito pior sem ela.