As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O que me falta

Luiz Carlos Merten

27 de outubro de 2014 | 09h00

Tenho encontrado Guillermo Arriaga em sessões da Mostra. Ontem, entrando na sala, no escuro, sentei-me ao lado dele para ver Sangue Azul, de Lírio Ferreira. Havia visto o filme no Rio, mas não estava bem. Resolvi dar-nos outra chance, ao filme e a mim. Ai, deu a louca nos pernambucanos. Lírio, Camilo Cavalcanti, Daniel Aragão. Acho que vou me recolher, para não ser ofensivo. Tenho feito ótimas entrevistas – Laurent Cantet, Laurent Cantet, Laurent Cantet. Tenho meus motivos para achar que a entrevista com Walter Salles não ficou tão boa, à altura do meu entusiasmo por Jia Zhangke – O Homem de Fenyang. Foi, está sendo, um dos meus filmes preferidos deste ano. Casa Grande, Retorno a Ítaca, Jaja – de Lisandro Alonso, que terá sessão esta noite -, O Homem de Fenyang e  Los Angeles por Ela mesma, o vídeo-ensaio de Thom Andersen sobre a forma como o cinema ‘vê’ L.A. Le Mani sulla Città. Andersen faz uma análise muito interessante sobre como a especulação imobiliária triunfou na cidade e o planejamento não apenas eliminou o que seria a Los Angeles popular como fez uma opção pelo transporte individual, com as free (e high) ways substituindo o metrô e os ônibus. Chinatown, de Roman Polanski, não é só um grande filme de ficção. É um documento (documentário?) sobre a especulação e a batalha do deserto, pelo controle da água. Além da emoção de rever cenas de todos aqueles filmes, emocionei-me com o rigor da análise de Andersen. Conhecia trechos de seu filme disponíveis na rede. Fiquei ontem à noite vendo as três horas de Los Angeles Plays Itself no Itaú Augusta, enquanto lá fora explodia o mundo com a comemoração da vitória de Dilma Roussef. Na saída, encontrei Eduardo Valente, feliz da vida. Espero que nos reencontremos no Rio, na Semana dos Realizadores, de 19 a 26 (de novembro). Daqui a pouco tenho de ir para a junkett de Tim Maia. Filme e entrevistas. Espero que isso não limite minha mobilidade na Mostra. Gostaria muito de ir à sessão em homenagem a Aloysio Raulino, com Lacrimosa e Noites Paraguayas. O próprio Aloysio vivia me prometendo uma cópia do segundo.  O problema é que é sessão única. É ver agora ou nunca. Minha prioridade para os últimos dias é ver Detetive D, de Tsui Hark, que terá sessão na quarta-feira (à tarde). Tenho ouvido maravilhas sobre o novo filme do grande diretor.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.