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O que limita? A imaginação?

Luiz Carlos Merten

09 de maio de 2013 | 19h20

Ainda tento me adaptar ao novo horário de fechamento do Caderno 2, que transferiu o eiuxo de minha atividade da manhã para a tarde. E fui ver hoje O Reino Encantado sem saber muita coisa, ou melhor, sem saber nada, exceto que era animação, e dos produtores de A Era do Gelo. Assisti a alguns trailers – Turbo, sobre um caramujo turbinado que disputa corrida de carros, e Rio 2, que me deixou nos cascos, mais assanhado que criança diante de vitrine de doces. E veio o tal Reino, encantado por Chris Wedge, o parceiro de Carlos Saldanha no primeiro Era do Gelo. Vocês sabem que comigo não tem esse negócio de achar animação um gênero menor, ou infantil. Amo Ratatouille, O Rei Leão, O Submarino Amarelo e Branca de Neve e os Sete Anões como os grandes filmes que são – p(r)onto. Confesso que pirei com Reino Encantado. No início, nem estava gostando muito da história sobre o combate entre as forças da vida e da morte numa floresta. Há a protagonista, uma garota que chega para visitar o pai e ele é um pesquisador que acredita que, na floresta, existem seres minúsculos, liliputianos, que lutam por sua preservação. A ‘mensagem’ é claramente ambientalista e, por conta dessa crença – mais um cientista louco -, o casamento acabou e a jovem, órfã, viveu a vida toda longe dele. Ocorre o improvável. A heroína é reduzida a proporções mínimas e se liga a general do Exército verde que também está tendo problemas com o garoto que cria como filho, em substituição ao pai biológico. Lembram-se de Robôs, também de Chris Wedge? Já era sobre a relação pai-filho, e sobre um pai substituto. Achei muito interessante, e até me emocionei pela forma como as relações se estabilizam, entre a jovem e o pai, o rebelde e seu superior (no Exército verde). Mas assim como o general sofre com a morte da rainha do verde, fiquei meio desconcertado porque há um princípio de romance que não se concretiza quando a protagonista volta ao tamanho natural. Há uma espécie de sublimação – ela e o verdinho seguem se comunicando, mas cada um em seu mundo. É o problema de muitas animações, que defendem a diferença, tudo muito legal, mas não conseguem encarar a questão da sexualidade, como se ela não fizesse parte do universo infantil, dentro da família. Uma leitura mais atenta de Bruno Bettleheim, e de sua psicanálise dos contos de fadas, seria bem libertadora. Feita a ressalva, gostei demais de O Reino Encantado e da vertigem que as novas tecnologias trazem para o desenho animado. Há uma cena de voo em que o pássaro do jovem soldado, depois de passar pelo buraco da agulha – um desfiladeiro -, plana sobre a água. Que que é aquilo? A perspectiva, realçada pelo 3-D, me levou numa viagem maluca. Não existem mais limites – já dizia James Cameron. A imaginação é o limite. O dinheiro é outro. Animação, com essa tecnologia, é muito cara. Mas que impressiona, a mim, pelo menos – ah, isso sim.

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