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O olhar estrangeiro (ou ‘internacional’)

Luiz Carlos Merten

10 de fevereiro de 2020 | 13h42

Comprei, na Paulista, três novas revistas de cinema que chegaram à banca do Conjunto Nacional. A mais recente é a Empire de fevereiro, com a capa dedicada a James Bond, No Time to Die, e internamente, sob a rubrica ‘Goodbye, James’ – é um filme de despedida -, as entrevistas do vilão Rami Malek e da nova estrela negra da franquia, Nomi, interpretada por Rashana Lynch, no papel de outra agente 00, isto é, com licença para matar. Virei a últimas página sobre Bond e lá estava Bong Joon-ho, que a revista chama de mestre do suspense e compara a Alfred Hitchcock destacando que os thrillers high concept do autor sul-coreano possuem uma forte pegada comercial. Na sequência da capa de outubro para Bacurau – Le Brésil de Bolsonaro -, Cahiers du Cinéma ataca em novembro (chega tarde) de Ladji Ly, com páginas e páginas sobre Les Misérables, ambos, o Ly e o Kléber Mendonça/Juliano Dornelles, na mesma tendência da revolta dos excluídos. Dentro – surpresa! – mais uma página para o cinema brasileiro, com a crítica de Temporada, de André Luiz Oliveira – Política da doçura, é o título – e a informação de que Órleãs sediaria, naquele mês, com curadoria de Antoine de Baecque, a edição original do Festival de Cannes de 1939, anulada por causa da eclosão da 2ª Guerra. Baecque prometia até a Palma de Ouro que não houve. Qui l’a remporté? Alguns dos filmes – A Estalagem Maldita, de Alfred Hitchcock; O Mágico de Oz, de Victor Fleming; Paraíso Infernal, de Howard Hawks; La Loi du Nord, de Jacques Feyder; La Charrette Fantôme, de Julien Duvivier, etc. O que entrou para a história como maior filme francês daquele ano, A Regra do Jogo, de Jean Renoir, concorreu em Veneza. Bem interessante. Sight and Sound, em sua edição de janeiro, lista os 50 melhores filmes do ano. 1917 não aparece- não terá estreado na Inglaterra? Só para efeito de comparação com o Oscar, olhem as colocações – Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, 6º; Era Uma Vez… em Hollywood, de Quentin Tarantino, 4º; O Irlandês, de Martin Scorsese, 3º; Parasita, de Bong Joon-ho, 2º; e o primeiríssimo, The Souvenir, de Johanna Hogg. Várias publicações de língua inglesa colocaram esse filme nas nuvens, mas não me lembro dele na Mostra nem no Festival do Rio. Quem o trará para o Brasil? A própria Joanna, solicitada pela revista a listar seus 5 melhores filmes de 2019, cravou – O Irlandês, Dor e Glória, Você não Estava Aqui/Sorry We Missed You, de Ken Lach, que passa hoje às 7 na Seleção Rio do CineSesc; Ray e Liz, de Richard Billignton; e os Safdie Brothers da Netflix, Joias Brutas, do qual gostei muito e que Shight and Sound coloca em 12.º em sua lista.