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O novo ativismo de Jane

Luiz Carlos Merten

28 de novembro de 2012 | 12h27

Participei ontem da coletiva de Jane Fonda, que veio a São Paulo para participar do fórum sobre longevidade no Hotel Transamérica. Adoraria ter feito uma one a oner com ela, mas esta possibilidade nem foi levantada. Achei-a mais bonita do que na primeira vez que ela veio à cidade, em 1988, promovendo o filme ‘Gringo Viejo’, de Luiz Puenzo. Ela agradeceu o elogio, mas disse que custa caro. Na época, há 24 anos, Jane correu no parque (Ibirapuera). Agora, não consegue mais. Disse que fez cirurgias reparadoras no joelho, nos quadris. ‘Estou viva, é o importante’, acrescentou. Jane Fonda completa 75 anos em 21 de dezembro. Sophia Loren, que meu editor, Ubiratan Brasil, estava entrevistan do Rio, tem 78. Jane disse que nunca esperou viver tanto. Sempre achava que morreria cedo. A mãe matou-se aos 42 anos, o pai, Henry Fonda, era depressivo. Com este histórico, ela admite que chegar aos 70 anos foi surpresa.  No dia em que se t6ornou septuagenáreia, ela não conseguias acreditar que tivesse chegado tão longe – nem que pudesse ser feliz. Confesso que tinha implicância com essa obsessão pela juventude. A coletiva de Jane colocou as coisas em perspectiva. Ela defende uma velhice atiova, saudável, com sexo. Sua receita – testosterona gel, que passa nas zonas erógenas – coxas, baixo ventre – para se manter excitada para o boyfriend. Não lhe passa pela cabeça reopuxar-se a ponto de ficar irreconhecível. Emn Hollywood, lhe ocorre de ver alguém, uma fisionomia vagamente familiar, mas ela nmãso consegue mais identificar muitas pessoas – se embotocaram tanto que viraram outra coisa. Ela permanece Jane Fonda. Jura que nunca quis ser mito sexual. Barbarella era uma construção mental na cabeça dos outros. Jane disse que retomou o gosto pela interpretação. Durante 15 anos, não queria saber de atuar. Está convencida de que, para fazer alguma coisa artística e socialmente relevante, o canal não é o mais o cinema, nos EUA, mas a televisão. O fim da relação com Ted Turner foi meio litigioso, mas hoje ela consegue se referir a ele como o ex-marido preferido. Acrescenta que, sem humor, não há solução. A beleza tem de vir de dentro e uma das formas de se copnseguir isso é permanecendo curioso(a). É mais importante ser interessada do que interessante, garantiu. Havia gostado de ver Jane em ‘E Se Vivêssemos Todos Juntos?’, que ainda deve estar em cartaz nos cinemas. Revi-a na TV em ‘Descalços no Parque’, com Robert Redford. Eram jovens e belos – Roberti virou uma fruta seca. Também o revi outro dia na TV em ‘Um Lugar para Recomeçar’, de Lasse Hallstrom, com Morgan Freeman, em que faz o sogro de Jennifer López. Não é um filme que eu vá recomendar como bom, mas gosto de (re)ver e volta e meia me pego assistindo a uma cena, mais uma cena, quando estou zapeando e as imagens entram na TV. Jane ganhou duas vezes o Oscar, por ‘Klute, o Passado me Condena’, de Alan J. Pakula, e ‘Amargo Regresso’, de Hal Ashby. Gosto mais do primeiro que do segundo e em ambos ela é irretocável, mas se tiver de escolher a ‘minha’ Jane, os filmes seriam outros – ‘Caçada Humana’, de Arthur Penn, em que ela faz a ex de Robert Redford e ele é o fugitivo caçado num fim de semana infernal, numa cidadezinha do Texas, e ‘A Noite dos Desesperados’, de Sydney Pollack. Jane já foi ativista política – durante a Guerra do Vietnã. Hoje é ativista da longevidade. Defende que se pode viver mais, e melhor, mas não idealiza. Para quem não tem recursos e sofre de alguma grave doença, a velhice pode ser terrível. Na saída do Transamérica, passei em casa para rfedigir a matéria de hoje no ‘Caderno 2’. Como não ia conseguir chegar no jornal, passei em casa para redigir o texto e enviar por e-mail – 3500 caracteres. Estava nos 3 mil e poucos quando o texto sumiu da tela. O relógio marcava 13h50. O fechamento é às 14h30. Respirei fundo e comecei de novo. A matéria talvez pudesse ter ficado melhor – sempre pode, mas não creio que deixe de fazer justiça a um dos meus mitos.

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