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O ‘nosso’ Lynch, Albatroz?

Luiz Carlos Merten

10 de março de 2019 | 10h19

Havia perdido a junket de Albatroz. Fui ver ontem o longa de Daniel Augusto no Belas Artes. Albatroz alterna sessões com Raiva, de Sérgio Tréfaut, na mesma sala. Não poderia haver filmes mais diferentes. Sou mais o Tréfaut, que amei, e olhem que o Paulo Coelho de Daniel Augusto tem fragmentos extraordinários de cinema. Na quinta, dia da estreia, folheando os segundos cadernos na mesa da pauteira do C2, Eliana Souza, não acreditei no que lia. Os coleguinhas estavam todos perplexos. Admitiam não haver entendido nada – e no Globo alguém lembrou que o próprio Howard Hawks dizia que o roteiro de À Beira do Abismo/The Big Sleep não fazia sentido para ele -, mas, por um raciocínio torto e perverso, a voz dominante é que o cinema comercial brasileiro só oferece mais do mesmo, continuações e biografias, e, portanto, todo mundo achava salutar a existência desse óvni, definido como o ‘nosso’ Estrada Perdida. Quem é o David Lynch caboclo – o roteirista Bráulio Mantovani ou o diretor? Entre as continuações e as biografias, o cinema do Brasil tem apresentado uma terceira via riquíssima, e que não tem nada a ver com as elocubrações de segunda mão de Albatroz. Puta filme chato, um desfile interminável de celebridades, fazendo o quê, mesmo? Todo mundo em participações ‘especiais’, que saco. Alô-ô. Vem aí uma safra riquíssima de novos filmes. Dia 30, a Mostra Aurora desembarca no Cinesesc, antes disso estreia o feminicídio de Cristiano Burlan – Elegia de Um Crime, o assassinato da mãe dele – e depois virão os filmes brasileiros de Berlim. A Rosa Azul de Novalis começa com um ânus pulsante e o ponto de filme é que Deus está em toda parte e pode ser encontrado dando o dito-cujo. Pergunto-me se o presidente vai ver A Rosa Azul e tuitar. Como cantava a multidão, de Norte a Sul, ‘Ei, Jair, vai tomar…’ Desviei-me do assunto. Daqui a pouco vou falar com Daniel Augusto. Assunto é que não vai faltar.