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O mundo visto de casa. Socorro que eu quero descer!

Luiz Carlos Merten

22 Fevereiro 2018 | 10h11

Continuo em casa, fazendo fisioterapia, escrevendo feito um louco – textos para o impresso, o online e otras cositas más, que me têm mantido ocupado. Por conta do esforço, com a dor no joelho, tenho saído o mínimo necessário. Daqui a pouco vou fazer uma infiltração e, à noite, faço um debate no CineSesc com Cristiano Burlan e seu elenco mítico, Jean-Claude Bernardet e Helena Ignez, após a sessão de Antes do Fim. E estou louco para ver Trama Fantasma, o único filme do Oscar que ainda me falta. Tenho insistido que Eu, Tonya é o melhor filme dessa edição do prêmio da Academia – Dunkirk está em outro patamar, pairando acima de todos -, mas como ainda não vi o Paul Thomas Anderson pode ser que a opinião mude. PT! Eu o amava nos seus começos. Boogie Nights – Prazer sem Limites, Magnólia. Depois, fui me distanciando dele, mas sempre sonho com o reencontro. Quem sabe? Ficar em casa, o que raramente faço, me força a uma certa rotina. comecei a ver a novelas Deus Salve o Rei, tenho visto o noticiário. É de cortar os pulsos. Descobri ontem que o Brasil de Moro e Cia. despencou e passa, aos olhos do mundo, o atestado de ser um dos países mais corruptos e impunes do mundo. Está no nível de Burkina Faso, pobre Burkina Faso. Ter de ser comparada ao Brasil. E hoje pela manhã o relatório da Anistia Internacional. A cada ano aumentam os indicadores de violações de direitos humanos no País, mas quem se importa com isso? Jesus do céu! Não sabia que tinha tantos macacos no Brasil. Todo dia morre um monte de febre amarela, para não falar de gente. Uma espécie de golfinhos está ameaçada de extinção. Todo dia os raros espécimes que sobram estão morrendo na costa brasileira. Nos EUA, o ataque do atirador na escola da Flórida reativou o debate sobre armas. A garotada fez protesto contra as armas, a Associação do Rifle defendeu o sagrado direito de cada um ter seu trabuco e Trump, o celerado, acha que a solução é armar os professores. Daria um quadro divertido na Escolinha do Professor Raimundo. Bruno Mazzeo, o mestre, descansa a arma na cátedra e seu Peru tem um desfalecimento. E assim segue o mundo. Pára, que eu quero descer. Não tenho acompanhado a cobertura de Berlim, exceto o que me manda o próprio festival. Dib Carneiro, que aniversariou ontem – parabéns ao meu amigo querido, 57! -, me leu a mensagem de Orlando Margarido, diretamente da Berlinale. A sessão de O Processo, documentário de Maria Augusta Ramos sobre o impeachment de Dilma Roussef, foi um sucesso. Sala lotada, aplausos, lágrimas, uma consagração. Não duvido que o filme seja grande. Era um dos que mais queria ver – que quero ver. Imagino que Amir Labaki vá trazê-lo no próximo É Tudo Verdade. É a sina da esquerda – fazer grandes filmes. Já a direita… Polícia Federal, Real (vi na TV), O Jardim das Aflições. Vão do ruim ao pior, embora o primeiro tenha uma cena boa (o bate-boca entre pai e filho) e o último valha pelo momento em que o filósofo Olavo de Carvalho confirma que foi, sim, golpe.