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O mundo enlouqueceu (mas me restam os filmes)

Luiz Carlos Merten

05 Dezembro 2018 | 09h22

Dentro dessa bateria de exames que estou tendo de fazer, tive alguma dificuldade com a tomo. O esclarecimento teria de ser técnico, mas duas vezes marquei e não consegui fazer. Ontem, finalmente, fiz, mas com meu histórico de problemas de coração e pressão foi preciso checar os níveis de creatinina, etc. O contraste, propriamente dito, me produziu uma depressão, uma tristeza, parecia que ia morrer naquela gelada sala de exame. Queria chorar, mas confesso que há tempos só consigo fazer isso no cinema. Na vida, só consegui chorar na morte da minha irmã. Marlene… Não conto isso para que fiquem com peninha. Nada a ver, até porque nesse ano da nossa desesperança acho que a vida tem estado difícil para todo o mundo que tenha um mínimo de sensibilidade e consciência. E cá estou nessa manhã de sol. Carlos chega daqui a pouco para a físio, tenho de ir a uma cabine na Sony. Hoje é quarta, dia de fazer a página de estreias do Caderno 2. Começa amanhã o tradicional festival das estreias do cinema brasileiro no ano, no Cinesesc, com 53 títulos. 53! E o festival, de novembro a novembro, não contempla as estreias que ainda estão chegando. Somente nesta quinta, 6, estreiam quatro novos filmes – Beijo no Asfalto, Henfil, Rasga Coração e Tinta Bruta. Repassando os títulos do festival brasileiro, refiz minha lista, ainda provisória, de melhores do ano. Muitos brasileiros. Arábia no topo, o melhor dos melhores, O Início do Fim, Paraíso Perdido, Baronesa, As Boas Maneiras, Beijo no Asfalto, Tinta Bruta, A Moça do Calendário. E os estrangeiros – Em Chamas, Em Chamas, Em Chamas, Desobediência. Fiz uma pausa porque o Carlos chegou. Arauto da internet, contou-me sobre o assunto do dia nas redes sociais. Está bombando a história do segurança do Carrefour que quebrou as pernas e envenenou a cachorrinha que se abrigava no hipermercado. Eu digo – o mundo enlouqueceu. Não existe mais compaixão. Nesse quadro, que representam meus problemas, minhas dores? Agora, sim, estou chorando. De ódio, para entrar no clima.