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O mistério Hong Sang-soo

Luiz Carlos Merten

04 de junho de 2016 | 13h26

Havia visto Un Jour Avec, Un Jour Sans em Paris, em fevereiro, na volta de Berlim. Cheguei de Paris, depois de Cannes e o Hong Sang-soo está em cartaz na cidade, com o título de Certo Agora, Errado Antes. Com O Cavalo de Turim, Batman Vs. Superman, A Vizinhança do Tigre, Big Jato (quando estrear) e algum outro do qual não esteja me lembrando, o novo Hong Sang-soo vai integrar minha lista de melhores do ano. O novo? Com toda sinceridade, não sei. Sang-soo já pode muito bem ter concluído outro filme. Sua regularidade de produção só se compara à de Woody Allen. No caso do coreano, são 17 filmes em 19 anos de carreira. E todos tratam dos encontros e desencontros de homens e mulheres. O protagonista de Hong Sang-soo é sempre um cineasta, como ele, mas nunca é ele. Dessa vez o cara está numa cidade, veio para um evento. Passeia ao azar. Passa por um palácio, próximo a uma árvore. Vê essa garota e o espectador, que não precisa ser necessariamente um expert em Sang-soo, sabe que eles vão se encontrar, se envolver… E de novo ele passeia ao azar, o palácio, a árvore, a garota. Sem risco de spoiler – nada mais digo. Só acrescento que é um dos mais encantadores filmes que já vi. Um misto de Woody Allen com o melhor Eric Rohmer. Simples. Simples? Rico. Muito rico. Complexo. Não percam Certo Agora, Errado Antes. Hong Sang-soo conseguiu, de novo. Outro grande filme do ano.

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