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O mercado da notícia/2

Luiz Carlos Merten

23 Março 2017 | 11h53

Tenho medo de ser injusto, porque, afinal, vou fazer um post de ouvir falar. Contei na redação que passei, na quarta, pela Galeria Olido – à qual pretendo voltar nesta quinta para a estreia de Com os Punhos Cerrados – e alguém me comentou que André Sturm, no Face ou em alguma outra página da internet, relatou que sofreu um ataque fascista na galeria, na saída da Secretaria Municipal de Cultura. Não sei de que forma ele foi agredido – se verbal, fisicamente. Mas André, como secretário, tem reclamado de artistas que mamam nas tetas. Andei perguntando e me disseram que tem sido bem ofensivo. Por outro lado, anda superprotetivo. Mandou uma representante – mulher – em seu lugar, na abertura da MIT. (Fiquei com vontade de rever os filmes dele. Ó, sacrifício… Mas queria ver os créditos, se tiveram leis de patrocínio.) Pobre André, vítima desses fascistas… Vou colocar legenda, para que não fique dúvida. É ironia, viram? Por falar em governo democrático, cada vez que ouço falar no prefeito ele está tendo um novo plano para confinar esses desagradáveis, isto é, nós, o povo. Carnaval, grafiteiros etc, o sonho dele é despachar todo mundo para longe. Que outra coisa esperar do Sr. Finzi Contini? Lembram-se do filme que Vittorio De Sica adaptou do romance de Giorgio Bassani? I giardini, os jardins… O prefeito mora naquela fortaleza, muros indevassáveis, no Planalto Paulista ou Jardins. Passo por lá de táxi, a caminho de alguma cabine, e os motoristas sempre informam – é a casa do prefeito. O bunker… Da rua, não se vê nada. Privacidade total. No pós-carnaval, havia uma Ilustríssima em cima da mesa da pauteira do Caderno 2. No automático, folheei. Havia um texto de uma doutora em sociologia cujo nome não lembro. Me chamou a atenção o título. Comecei a ler, não parei mais. Ela analisa duas imagens. O presidente chegando no palácio com a mulherzinha, o filho, assessores e, no fim da fila, a mucama de uniforme, vergada sob o peso das malas. O prefeito nos míticos jardins com a mulher e os cachorrinhos… O texto vê nessas imagens emblemáticas uma representação da sociedade brasileira atual. O Som ao Redor, Que Horas Ela Volta?, Casa Grande fazem essa análise ficcionalmente. João Moreira Salles começa o novo filme, No Intenso Agora, com a análise de uma foto ‘de época’. A família brasileira vai passear. Madame, os filhos e a pretinha (perdão) uniformizada. Estamos regredindo. Jéssica não vai mais para a faculdade. Os ratos não vão mais ameaçar a piscina de madame. E o ‘pobre’ André vítima de um ataque fascista… Mas o que fizeram com esse bom rapaz? Não estou sendo solidário, mas irônico.