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O mercado da notícia

Luiz Carlos Merten

23 Março 2017 | 11h46

É impossível viver em São Paulo e locomover-se no trânsito da cidade sem dar uma olhada no Metro ou no Destak. Sempre me surpreendi que Cláudio Humberto, que foi responsável pela ascensão de Fernando Collor no cenário nacional, seja o colunista ‘independente’ do jornal (Metro). Independente, ele não é. Tem a opinião dele, que expressa todo dia, batendo sempre nas mesmas pessoas. Surpreendi-me, anteontem. Estava indo para a cabine do Shyamalan – Fragmentado -, dei uma olhada na coluna e mais da metade era batendo no Manuel Rangel, da Ancine. Sempre achei que o Manuel era blindado pela categoria (o povo do cinema). Em Brasília e Tiradentes, ele participou de mesas em que apresentou números bem consistentes, talvez até demais, da sua agência. Manuel era uma das últimas, senão a última herança do governo petista ainda na administração. No ‘Fora, Temer’ que virou o grito de guerra em atividades culturais pelo País afora, acho que era a exceção. Ministros, secretários, sempre foram vaiados. A categoria nem precisa acuá-los. Tropeçam sozinhos, se autorridicularizam. Esse ministro da Cultura, por exemplo, é o ó. Só pode estar no cargo por arranjo político. Não o Manuel Rangel. Pois o Manuel está sob suspeita. Metade do mandato na Ancine – 2 mil e poucos dias, num total de 4 mil e tantos -, passou viajando, recebendo diária. Cláudio Humberto relata que Manuel Rangel custou ao contribuinte, fora salário, R$ 800 mil. Manuel tem aquela lógica infernal. Não é meu amigo, mal conversamos – em algum evento ou entrevista – , mas acho sempre impressionante vê-lo falar, expondo ideias, programas e números. Gostaria de vê-lo num cara a cara com o (ex) porta-voz. Tenho cá comigo que uma das funções do Manuel na Ancine é justamente viajar, estar na hora certa, no local certo, para promover o cinema brasileiro. Manuel Rangel está terminando seu mandato (em maio). Quem irá para o lugar? E até que ponto esse ataque é pelo bem da informação? Remember Jorge Furtado, O Mercado da Notícia. Do jeito que andam as coisas, é difícil fugir à teoria da conspiração.