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O menor espetáculo

Luiz Carlos Merten

21 de setembro de 2012 | 08h56

Houve ontem a reunião para escolha do candidato brasileiro à indicação para o Oscar. Em anos anteriores, a reunião foi breve. No ano passado, até onde me lembro de ter lido na imprensa – não estava lá -, não demorou nem meia hora para a escolha de ‘Tropa de Elite 2’. Agora, foram três horas de discussão. Imagino que os integrantes tenham debatido o conceito de filme ideal para o Oscar, que até hoje não sabemos direito qual é. O problema tem sido esse. Selecionamos filmes que achamos que são para o Oscar, e obviamente não são. A escolha de ‘O Palhaço’ é surpreendente em termos. Na verdade, é até óbvia. Um filme que teve reconhecimento do público e da crítica, um filme digno. Em princípio, pode-se pensar que não tem chance. Como assim? O Oscar, cada vez mais, privilegia filmes de prestígio, duvidosos tipo ‘O Discurso do Rei’, contra blockbusters que representam o cinema de ponta de autor em Hollywood. Um filme brasileiro intimista no Oscar? Distante da estética urgente e violenta que tem sido associada à imagem do País? Em 1952, há 60 anos, o Oscar de melhor filme foi atribuído a ‘O Maior Espetáculo da Terra’, de Cecil B. de Mille, mas ele não foi o melhor diretor. O Brasil vai de circo, mas numa vertente mais próxima de Charles Chaplin (‘O Circo’) e Ingmar Bergman (‘Noites de Circo’) – o menor e mais autêntico espetáculo da Terra. Selton Mello poderá até não ganhar, mas vou torcer por ele. E, mesmo sem saber quais serão os demais concorrentes, ponho fé de que fique, no mínimo, na pré-seleção. Quem sabe vá adiante?

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