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O lado bom da vida

Luiz Carlos Merten

20 de janeiro de 2014 | 10h24

Mariana Lavieguerre tem me informado sobre os progressos da Sony nas grandes premiações que ocorrem nesta época do ano. São 26 indicações para o Bafta, 24 para o Oscar – ou será o contrário? Mas, ao mesmo tempo, uma coisa que ela diz me deixa preocupado. Capitão Phillips já está em cartaz, Trapaça e Ela, os campeões de indicações, estreiam em fevereiro, mas Nebraska, o melhor Alexander Payne, com as interpretações sublimes de Bruce Dern e Jane Squibb, está sem data. O que significa isso? Que o filme vai terminar indo para o mercado de home, só Blu-ray e DVD? Confesso que tenho uma relação ambivalente como longa de David O. Russell. Trapaça é bom, os atores são maravilhosos, mas não é tão bom – como O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese – para liderar as indicações para o prêmio da Academia. Não consigo deixar de pensar – nos últimos anos, os campeões de indicações têm sido os derrotados na grande noite. É o que sustenta – anima? – minha crença de que 12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, deve ganhar, porque é o melhor. Fui ontem à Redação do Estado fazer os textos que estão na edição de hoje do Caderno 2. Lá pelas tantas, fiz uma referência à elegância de Cate Blanchett, que ganhou o SAG Award por Blue Jasmine, e fui pesquisar quem era o estilista. Givenchy. Só que, pesquisando uma coisa, descobri um link para outra informação – que compartilho com vocês, embora muitos talvez já saibam. Jennifer Lawrence e Bradley Cooper concorrem ao Oscar de coadjuvantes pelo filme de O. Russell. Ela foi melhor por O Lado Bom da Vida, do mesmo O. Russell, pelo qual nutro a mesma ambivalência. Não é ruim, não!, é supervalorizado. Mas não sou doido de achar que O. Russell não é um puta diretor de atores, que se interessa mais pelos personagens que pela história, e isso tem seu atrativo. Nunca degluti completamente que Jennifer tenha ganhado o Oscar de melhor atriz e Robert De Niro, o melhor em cena – para mim -, tenha perdido o de coadjuvante. Mas vejam bem o que descobri. Anne Hathaway e Mark Wahlberg seriam os protagonistas de O Lado Bom da Vida, mas ela trombou com o diretor, alegando divergência artística, e caiu fora. Mark também se mandou e, na emergência, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper assumiram os papeis. Jennifer ganhou o Oscar – Anne teria ganhado? Creio que não, mas é interessante que, na mesma premiação, Anne tenha recebido o Oscar dela, como coadjuvante, por Os Miseráveis. Achei tudo isso muito curioso, realmente.

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