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O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

30 de agosto de 2014 | 11h55

BRASÍLIA – Lembrei-me hoje de Peter Bogdanovich, Targets/Na Mira da Morte. Foi ao chegar à sucursal do Estado, aonde vim dar conta de minha programação de ontem. Havia uma chamada de capa no Correio Brazilense, os gritos de Bernardo, que só os algozes ouviram. Bernardo, o garoto gaúcho morto pela madrasta, mas o pai também está implicado. Bogdanovich – o horror da realidade supera o horror do cinema. Na ficção que ele criou nos anos 1960, Boris Karloff faz um velho ator de terror que resolve se aposentar. Seu novo filme passa num drive-in e, atrás da tela, instala-se um atirador que dispara contra o público. Como competir com a realidade, perguntava-se Bogdanovich? O terror ingênuo (e sugerido) da escola de Val Lewton virou gore e séries como Premonição e Jogos Mortais vão ao limite, criando novas e assustadoras maneiras de matar. Como sacudir o espectador da sua letargia quando, no diálogo transcrito da gravação do celular do pai de Bernardo, a madrasta grita várias vezes – ‘Você não sabe do que sou capaz. Prefiro apodrecer na cadeia a conviver contigo.’ Vi ontem No Olho do Tornado, para uma crítica na segunda ou terça, acompanhando a entrevista que Elaine Guerini fez com o diretor Steven Quale. Richard Armitage faz o pai de dois garotos colhidos no olho do furacão, enquanto o mundo explode ao redor. Armitage é o líder dos anões de O Hobbit, e agora representa com sua estatura normal. Os conflitos são básicos, nada que o espectador não tenha visto, mas nenhum filme de tornado nos levou, antes , a compartilhar a experiência com tal intensidade. E o curioso é que os dois filmes que vi ontem no BIFF, o Brasilia International Film Festival, também abordam a relação entre pais e filhos. Gostei – dos filmes do BIFF -, mas é assunto para o post seguinte.

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