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O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2014 | 11h40

Quando eu falei no outro dia sobre os prêmios que Hoje Eu Quero Voltar Sozinho ganhou em Berlim, meu amigo Marcelo Magalhães – digo amigo porque ele comparece com alguma frequência aqui no blog – teve um piti. Disse que, pra ganhar prêmio, basta colocar viado em cena etc e tal. Não é verdade, e a prova é que Praia do Futuro, de Karim Aïnouz, não ganhou nada na própria Berlinale (e olhem que merecia). Não pude deixar de pensar no MM quando vi, não me lembro se no Libé ou no Le Monde, uma matéria sobre a perseguição aos gays em Zâmbia. Barra pesadíssima – cadeia sem julgamento, até prisão perpétua. As fotos daqueles carinhas jovens – que fossem velhotas, não importa – traziam, estampada na cara deles, a total falta de perspectivas, perante o inevitável fim do mundo, do seu mundo. Espero que não seja isso que o MM esteja querendo, mas, enfim, vale lembrar que aquele senhor Adolfo, o Hitler, incluía, na solução final de suas câmeras de gás, com os judeus, também ciganos, aleijados e gays. Isso não impedia, naturalmente, que as SA fossem uma putaria só, como Luchino Visconti mostrou em Os Deuses Malditos, mas aí tudo terminou em banho de sangue. Março vai trazer a estreia de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. Espero que o MM veja, sem homofobia, e tenha o culhão (sorry) de reconhecer, aqui, como o filme de Daniel Ribeiro é bom.

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