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O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

11 de junho de 2013 | 23h22

Não sei se vocês conhecem o depoimento de Lúcia Murat à Comissão da Verdade, do Rio. Podem encontrá-lo na internet. É doloroso, emocionante. Daria um filme terrível, melhor que os dois últimos de Lúcia. Não consigo evitar a sensação estranhíssima de que Lúcia errou nos gêneros. Uma Longa Viagem me parece obsceno como documentário. À maneira de François Truffaut – Jules e Jim – duvido da moralidade dos que aceitam o filme sem questionar. Deveria ter sido feito como ficção. A Memória Que me Contam, pelo contrário, pedia para ser feito como documentário. É outra obscenidade, e até agora me pergunto por que Lúcia colocou aqueles dois gays trepando, o que, voyeurismo à parte – os moços são bonitos, há que reconhecer -, me pareceu o ó do borogodó. tudo tão ‘artístico’. Já defendi Lúcia Murat com veemência. Fui guerreiro, integrando o júri da Fipresci, para que ela ganhasse o prêmio de melhor filme latino, no Festival do Rio, por Quase Dois Irmãos. Defendo até Maré, que é meia boca, mas os dois últimos filmes não dá. Fico rangido pelos que dizem que gostam, porque não consigo acreditar que sejam sinceros. É uma coisa, assim, politicamente correta. Lúcia, afinal, sofreu nos porões da ditadura. Respeito-a por isso, e por dois ou três filmes – Quase Dois Irmãos, Quase Dois Irmãos, Quase Dois Irmãos -, mas o Memória e o Viagem não dão.

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