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Mais horror, muito horror

Luiz Carlos Merten

23 Fevereiro 2013 | 10h09

Havia visto o trailer de Duro de Matar 5 – Um Bom Dia para Morrer em Nova York, Santo Domingo, Paris, São Paulo claro. Gosto da série e estava louco para ver a nova aventura do policial John  McClane, até porque o trailer prenunciava a relação familiar, entre pai e filho, e o filho é o cavalão de Jack Reacher, thriller com Tom Cruise que é bem melhor e mais interessante que as pobres críticas que teve. Bruce Willis é… Bruce Willis. Cool, autoironico, faz sempre o mesmo papel, o dele, mas ninguém é melhor do que Bruce Willis. Como colocar a questão? Não gostei de Duro de Matar 5 – não diria que é um bom filme -, mas gostei de ter visto e até saí do cinema com algumas questões interessantes em que pensar. Mas antes de abordá-las, permitam-me tergiversar. Desde o primeiro Duro de Matar, penso sempre em Tritinity, o que não tem, nada a ver,mas há 40 anos um dos filmes da sériee com Terence Hill se chamou em castelhano Dales Más Duro, Trinity e a associação sempre me vem. FEcha parêntese. O diretor John Moore, que asdsinma op filome, me desculpem, mas é uma cavalgadura. Max Payne, com Mark Wahlberg, era só fogo de artifício e seus remakes de A Profecia e O Voo do Phoenix desonram os originais de Richard Donner e Robert Aldrich. Duro de Matar 5 passa-se na Federação Russa, onde McClane descobre que seu filho – Jack – está preso. Embora eles não se falem há anos, o que faz papai? Toma o primeiro avião para Moscou e já terrissa na hora do rush, quando o anel viário da capital está travado. O filho é agente da CIA e a prisão faz parte de uma operação de encobrimento, para que ele possa libertar um opositor do regime – antigamente, se diria um dissidente -, que possui um dossiê contra ministro que o Ocidente quer neutralizar. Existem duas famílias em cena – a formada por McClane e o filho, que, naturalmente, vão se reaproximando até se ouvir a palavra mágica (‘pai’), e o dissidente e a filha, que vão numa escalada de reviravoltas que se constituem na própria razão de ser da narrativa. Nada é o que parece ser (mais uma vez), e essa é a melhor certeza de que a narrativa vai seguir nos trilhos, cheia de tiros, explosões e vidros estilhaçados. Desde a torre de cristal do primeiro filme (do grande John McTiernan), nenhum outro heroi de ação quebrou tanto vidro quanto McClane. Deve ser o responsável pelo boom dessa indústria que tem sido ferramenta da arquitetura pós-moderna, que se repete tanto quanto os blockbusters de Hollywood. O que achei de interessante nessa m… toda? As relações pai e filho me atraem, naturalmente, e como McClane eu tambérm desconfiei de cara que havia alguma coisa errada entre o dissidente e a sua Soninha (num ato falho deveras revelador, havia escrito a suja Soninha). A Rússia pós-comunista virou terra de ninguém. Se antes o país exportava uma certa ideia de ‘revolução’, e era considerado perigoso por isso, hoje absorveu o que de pior e mais selvagem caracteriza o mundo das economias globalizadas. Cresci com a lenga-lenga da auisência de liberdade que mantinha o povo russo escravizado pelo comunismo e, agora, o que o cinema me mostra – não apenas produções de Hollywood, como Duro de Matar 5 e Jack Reacher – é que o povo russo nunca esteve tão mal, mas pelo menos, é com democracia (só aparente, a federação tem seus blogueiros e blogueiras que denunciam a ditadura de Putin) e, depois, sem querer parecer cínico, quem se importa com camponeses russos? Sempre sofreram, lembrem-se dos czares, e esse sofrimento alicerçou obras-primas literárias (de Dostoievski, Tolstoi, Gogol etc). O curioso é que nem os críticos mais se importam com isso e os cineastas combativos, tais Sergei Loznitsa, os autores da urgêncika, são menos incensados que os oficiais, tipo Alexander Sokurov, o Sergei Bondarchuk de Putin – Fausto é o Guerra e Pàz dele. Penso cá com meus botões, e talvez pense errado, não sei, que ninguém nunca se preocupou com a falta de liberdade do povo russo – o que representa hoje a liberdade por lá? -, da mesma forama que todo mundo caga para a liberdade dos cubanos e dos venezuelanos. O que há são símbolos, que a economia hegemônica e o novo pensamento totalitário querem destruir e, depois, foda-se, os cubanos e cubanas que voltem a se prostituir, como faziam sob Batista (remember Francis Ford Coppola em O Poderoso Chefão, a admirável segunda parte). Posso parecer preconceituoso, mas vocês veem filmes, como eu. O que Hollywood tem mostrado da Rússia? O poder, os sicários, as putas. Reclamam deles, não de mim. Já desabafei – em termos. Nem vou falar da blogueira cubana. Janeiro e fevereiro foram atípicos, viajei muito, tinha vagas notícias do País. Em dezembro, o herói, o homem que havia salvado o Brasil, era Joaquim Barboza, que agora nem, sei onde anda (no Supremo, com certeza, mas não encontrei muitas notícias sobre ele). A cubana, em compensação, veio salvar o mundo e expor o que ainda faltava espinafrar sobre as estruturas de pensamernto (e poder) do Brasil. Longe de mim, que tenho o meu bloguinho, querer cercear o dos outros, mas espero viver mais alguns anos para ver a vitória da democracia em Cuba e na Venezuela e, principalmente, para descobrir que democracia será essa. Em princípio, só deveria existir uma, mas depois da russa, tal como é pintada pelo cinema, já descobri – a Rússia virou uma abominação (Ok, já era), mas vocês viram quantos carros novos no anel viário de Moscou? Nada daqueles carros velhos, caindo aos pedaços, que a gente vê em Cuba. Ah, sim, a saúde pública parece funcionar melhor que nos EUA, mas e daí? Isso era só contrapropaganda do Michael Moore no documentário dele. A melhor piada de Duro de Matar 5 envolve carros zero e armamentos de chechenos, mas isso você terá de assistir ao filme para desfrutar.