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O guia perverso, a ideologia segundo Zizek

Luiz Carlos Merten

09 Julho 2018 | 12h26

Segunda pela manhã, e eu aqui na luta. Já entrevistei (o pessoal do Nó do Diabo), tenho mais entrevistas à tarde. Conhecia O Guia Perverso do Cinema de Sophie Fiennes, irmã de Ralph e Joseph, com o filósofo e psicanalista Slavoj Zizek. Mas O Guia Perverso (Pervertido?) da Ideologia, também dela, e com Zizek, foi uma surpresa para mim. Assisti-o agora pela manhã no Curta!, depois da físio. Não creio que tenha visto tudo, mas Zizek retorna à sua análise dos clássicos de Hollywood para mostrar como o mecanismo ideológico é perverso e está incutido em nosso inconsciente. O desejo de consumir, o prazer de tomar um gole de Coca-Cola, poderia ser o inverso. Por que um e outro são tão importantes, necessários? Zizek vai ao cinema. Eles Vivem, de John Carpenter, definido como obra-prima de esquerda. A Noviça Rebelde. Amor, Sublime Amor. Motorista de Táxi. Rastros de Ódio. As cenas emblemáticas ganham novo significado. São desmistificadas. A domesticação do corpo, o militarismo, o ato imperialista, a difícil libertação da mente. E sempre um subtexto sexual. Ingmar Bergmam – fome e sexo nos impulsionam. Fome e fome. Comer e comer. E o tormento – o silêncio de Deus. Para iniciar a semana, Zizek foi bem mais que uma provocação – um estupro da mente?