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O eclipse de Hopper

Luiz Carlos Merten

05 Fevereiro 2013 | 08h00

PARIS – Havia gente pelo ladraoh na grande expo de Edward Hopper, no Grand Palais. De sexta a domingo, ela ficou aberta 72 horas para dar vazaoh aa onda de visitantes. Todo Hopper. Pinturas, gravuras, aquarelas. Hopper estudou em Nova York e teve tres importantes passagens por Paris quando jovem. Foi marcadso por De Chirico, Degas,. Courbet. Existem obras dele que sao recriacoes desses grandes artistas. A gente sempre veh aquelas representacoes da America citadina ou interiorana – a lanchonete de esquina, o lobby de hotel, os quarto acanhados. Sempre me impressionaram muito essas massas – o volume dos predios, mas a massa dos proprios personagens, das figuras que parecem imobilizadas. Nenhuma graca, como nas dancarinas de Degas. O bloco torna-se cada vez mais pesado e, entao, numa tela de 1963, o humano desaparece e ele retrata o sol no intertior de uma casa, distribuida entre areas de luz e sombra, sem movies nem nada nas paredes. O ano foi o mesmo em que Michelangelo Antonioni fez o fecho da sua trilogia da solidaoh e da incomunicabilidade, propondo o eclipse da humanidade. Nao creio, nunca ouvi falar, que Hopper e Antonioni fossem similares, mas ai, de novo, o choque. A ultima tela do artista, Two Comedians, de 1966, um ano antes de Blow-Up. Depois Daquele Beijo. Lembram-se nos mimicos, na partida sem bola do final do filme? Os dois comediantes de Edward Hopper parecem os mimicos de Antonioni, que sobreviveram ao eclipse para entrar na eternidade como representacoesw de imobilismo humano e social. A exposicao abre-se com uma tela de Wim Wenders, gigantesca, e mais `hopperiana` que o proprio. Um daqueles flagrantes da America que Wim captou e jah mostrou no Brasil – as fotos – na Mostra. Foi uma das melhores exposicoes que vi na minha vida, com a de Courbet aqui em Paris, anos atras, e a de Morandi na Fundacao Ibere Camargo, ewm Porto Alegre. Percebo que nao sou um impressionista. A arte que me atrai – a pintura – eh a da linha e do volume, numa vertente que vem de Giotto e percorre um longo caminho ateh o pos-impressionista Paul Cezanne, que lancou os fundamentos da arte moderna e que o proprio Picasso considerava `o pai de todos nos`.