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Ó dúvida cruel

Luiz Carlos Merten

12 de agosto de 2012 | 10h46

Vou almoçar daqui a pouco com minha filha Lúcia, mas sinto que minha tarde está complicada. Quero ver se vejo ‘Arsenal’, de Aleksander Dovjenko, às 4 da tarde na Jornada de Cinema Silencioso, na Sala Cinemateca. Até aí, rudo bem, mas às 6 e meia, 18h30, a Jornadaq mostra, também na Cinemateca, ‘A Carroça Fantasma’, de Victor Sjostrom, com música ao vivo. Era o filme preferido de Ingmar Bergman que, numa entrevista, acho que para ‘Positif’, confessou que, todo Ano Novo, havia muitos anos, projetava-se a obra, que fruía como lição de arte e vida. Victor Sjostrom foi uma espécie de ‘protetor’ de Bergman na Svensfilmindustrik, no começo da carreira de Ingmar (um pai para ele?). Bergman retribuiu duplamente, dando a Sjostrom o papel de Isak Borg na obra-prima ‘Morangos Silvestres’ e também fazendo do sonho inaugural do velho professor, na abertura do filme, uma reminiscência da carroça da Morte. Sim, ‘Morangos Silvestres’ também é sobvre um pai que precisa atrasvessar os planos da realidade, da memória e da imaginação para se purgar de uma vida sem amor, decifrando no último minuto o mistério de sua vida, quando finalmente consegue ver o próprio pai, e aí fecha os olhos para dormir (morrer?). Quero muito ver o filme mudo de Victor Sjostrom, mas justamente às 18h30, na Hebraica, será projetado o vencedor do Festival Judaico, que termina hoje em São Paulo. Não vi tantos filmes do festival quantos gostaria, mas vi quatro, todos na Hebraica. Ontem mesmo fui ver, à tarde’, ‘O Tempo Perdido’ e o filme de Anna Justice não me desapontou. Gostei muito do final em aberto, que provocou um ‘oooohhhh’ generalizado da plateia do Teatro Arthur Rubinstein, que queria um fecho para a história e ficou perplexa (desapontada?) com a ausência de resolução da trama. ‘A Carroça Fantasma’ ou o vencedor do Festival Judaico? Ó dúvida cruel…

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