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O deus mercado

Luiz Carlos Merten

02 de outubro de 2013 | 15h19

Estou voltando ao Rio já sabendo que a situação continua complicada na Cinelândia. Por razões de segurança, as sessões das 5 e das 7, 17 e 19 horas, do Odeon foram canceladas. ‘Talvez’ ocorra no local a sessão das 21 horas, mas isso significa  que já não verei hoje o Bressane, Educação Sentimental, que era um dos motivos para me fazer querer voltar correndo. Não quero bancar o reacionário, mas se o protesto dos professores é legítimo tenho minhas dúvidas de que os mascarados infiltrados no movimento – eu os vejo, ninguém me conta – não estão escondendo a cara só para se proteger do gás (que inalei ontem e quase sufoquei), mas para tumultuar. É tudo o que a polícia quer, um mascarado na frente, para baixar a lenha, e nesse ritmo segue o andor. Em tempo de guerra, como se ocupar da educação sentimental? Ah, mas é preciso. Vi grandes filmes que situam histórias de amor na guerra. Entre tantos, me lembrei agora de um velho filme do checo Jiri Weiss, Romeu e Julieta nas Trevas. Tão bonito, ou pelo menos assim me lembro. Embarco daqui a minutos. Vou acrescentar que morreu Tom Clancy, autor da série com Jack Ryan, que deu origem a filmes como Caçada ao Outubro Vermelho, de John McTiernan. Assisti a outro dia uma entrevista dele, acho que na Globonews. Clancy advertia dos perigos de termos a Amazon como maior vendedora de livros do planeta – não só de livros. Ele dizia que o objetivo da empresa é o monopólio, e isso não é bom para os escritores. Os autores de best sellers, como ele, podiam ditar suas cartas, mas os demais ficariam reféns da editora virtual. Interessante colocação, num momento em que tudo se concede ao mercado, que vira uma espécie de deus nesse nosso admirável, não tão admirável mundo novo. Leio na capa de uma dessas revistas de economia que o diretor da Gol, há um ano no cargo e enfrentando mau tempo – alta do dólar, demissões etc -, promete uma nova Gol. Que seja uma Gol capaz de oferecer serviço melhor. Desculpem-me, mas já viajei muito, com grandes companhias e empresas locais. De todas, se me perguntarem – mas como ninguém pergunta vou dizer – a Gol é o c… do mundo O pior serviço, disparado. Estou misturando alhos com bugalhos? Provavelmente, mas é tudo mercado, e estou defendendo meus direitos de consumidor.

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