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O despertar – da Força? Não, da direita!

Luiz Carlos Merten

08 de novembro de 2016 | 00h00

Comecei meu dia de hoje, segunda, 7, fazendo matéria para online e assistindo a Horizonte Profundo – Tragédia no Golfo. Maria Inez ligou na minha casa, insistindo para que visse o filme na cabine da Parois. Havia visto o trailer, que me vendeu uma imagem errada. Mark Wahlberg como herói, numa plataforma de petróleo que explode. Mais um disaster movie, pensei, mas fui. Achei bem interessante. Gostei. O filme começa com o depoimento de um sobrevivente numa comissão que investiga o caso. Fala o sujeito que Wahlberg interpreta. Desenha-se rapidamente um caso muito interessante. Em Snowden, de Oliver Stone, onde o Snowden real também, aparece (no fim), fala-se muito em segurança. As pessoas não estão nem saí para liberdade, querem segurança. É o típico discurso que justifica, por exemplo, a polícia do governador Geraldo Alckmin, e o cara quer ser presidente do Brasil! O ponto do filme é apresentar a segurança como algo relativo. A mega-empresa, representada por John Malkovich, não quer pagar por segurança no trabalho. A empresa de 200 bilhões de dólares não paga 150 mil num teste de segurança. Morre um monte de gente. No limite, a empresa é absolvida num desses Supremos da vida. O filme de Peter Berg não é sobre heróis, é sobre sobreviventes na guerra da vida. Sam Fuller, versão 2016. Peter Berg! O cara faz parte das minhas experiências de cinéfilo, como ator. Em O Poder da Sedução, de John Dahl, a femme fatale Linda Fiorentino busca um otário. Escolhe Peter Berg num bar. Nunca vi uma cena como aquela. Na cara dura, ela pega no pau do cara e cheira a própria mão, para ver se o aprova. Vagabunda rematada. Maravilhosa. Peter Berg entrou para o meu panteão só por aquela cena. Tem feito filmes de ação fora da curva. Voltei para o jornal, fui à reunião de pauta, fiz o material do dia e fui para o Hotel Hilton, lá no outro lado da Marginal, para entrevistar Oliver Stone, por Snowden. A matéria está na capa do Caderno 2 de terça (daqui a pouco). Stone me zoou, ao ver que não estava gravando. Gosto de ‘Ollie’. Respeito-o. Um cara que não segue o discurso dominante sobre o ‘comandante’ (Fidel Castro) nem ‘mi’ (su) amigo Hugo (Chávez) tem de ter muito culhão. E ele me disse coisas muito interessantes de sua decepção com Barack Obama. Encontrou-o duas vezes. Na segunda, ele não se deu conta de que tudo o que Obama estava lhe dizendo era a negação do ideário pelo qual foi eleito. Stone comparou o governo norte-americano ao Império, na saga Star Wars. Está, como todos nós, do lado dos rebeldes – Luke Skywalker, Han Solo, a Princesa Leia, Edward Snowden. Stone diz que não precisa criticar Obama. Basta prestar atenção no que ele diz em Snowden. O peixe, isso é velho como o mundo, morre pela boca. E Stone acha que as coisas ainda vão piorar – com Hillary. Nem cogita que Donald Trump possa ser eleito nesta terça-feira, 8, nos EUA. Tomara que tenha razão. Nessa ascensão (‘rise’) da direita, tudo o que não quero é ver o cara da ‘torre’ (Trump) encastelado na Casa Branca. Bastam os brucutus menores, epígonos da ‘América’, que estamos engolindo por aqui.

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