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O David!

Luiz Carlos Merten

30 de maio de 2014 | 11h40

FLORENÇA – Tive hoje uma epifania na Academia – pronuncia-se Acadêmia. Impossível passar por esta cidade sem visitar a Galleria Degli Uffizi, o que vamos fazer amanhã, e a Academia, onde está o David de Michelangelo. Descobri que aqui se diz Michelangiolo. Esses italianos têm o sentido da mise-en-scène. Chega-se ao David por uma galeria ornada com mármores inacabados do próprio Michelangelo, os escravos/schiavi, uma encomenda que ele iniciou para o túmulo do papa Júlio II, a pedido do próprio, mas que nunca concluiu. As figuras dão a impressão de querer sair da pedra. São tão vivas que a vontade é dizer – ‘Libertem-se!’ E aí a gente ergue os olhos e o David, em toda a sua monumentalidade, é o resultado dessa liberdade tão sonhada (e desejada). Que homem foi esse, que artista, que conseguiu esculpir no mármore um homem tão belo, tão harmonioso? É como estar diante de um gigante, e ao mesmo tempo os traços são delicados e as veias das mãos, das coxas só faltam palpitar. Existem bancos para quem quiser observar o David de todas as posições. De frente, de lado, de costas. A genitália das esculturas do Renascimento deixam sempre a desejar – considerando-se o conjunto das figuras poderosas -, e existem explicações para isso. Mas a barriga tanquinho, a bunda, os pés e mãos, é tudo de chorar – e eu chorei, diante de tamanha perfeição. Na saída, em frente da Academia, vendem-se cuecas com o pinto de David. E camisetas em que ele aparece numa moto, com a Mona Lisa de Leonardo na garupa. Almoçamos e vim para o hotel redigir esses posts e fazer o programa da rádio. Começou a chover. Vou descansar das emoções do dia. À noite, jantamos na casa dos pais de Francesca della Monica, numa cidade próxima.

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