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O crítico de cinema volta ao teatro, Gabriel Villela no FIT Rio Preto e Tebas Land

Luiz Carlos Merten

30 de junho de 2019 | 23h16

Nunca fui a São José do Rio Preto, mesmo tendo convivido quase todo dia, por mais de 20 anos, com um amigo que era de lá. Não creio que vá agora, em plena fase de recuperação, e num período em que a físio diária, com o Carlos, é decisiva para ganhar mobilidade, amplitude e força na perna. Mas gostaria. Na CartaCapital desta semana, li o texto do Eduardo Nunomura sobre os 50 anos do FIT Rio Preto, o Festival Internacional de Teatro da cidade, que começa na quinta, dia 4, e se prolonga por mais nove, até 13, presumo que no fim de semana seguinte. O festival traz várias atrações nacionais e internacionais que gostaria de ver, mas confesso que nenhuma mais que o Auto da Compadecida de Gabriel Villela, com um grupo de Minas. Tenho conversado com minha querida amiga Silvana Arantes, ex-Folha, hoje radicada nas Gerais, e em Belo Horizonte. Falei do meu desejo de ir a Minas para assistir à montagem, e agora descubri que estreia no FIT Rio Preto, com direito a foto na matéria do EN, foto que, por sinal, não deixa margem a dúvida quanto à assinatura do Gabriel nos figurinos. O Auto! Ariano Suassuna, João Grilo e Chicó. Se o Boca de Ouro já canibalizava o barroco pelo tropicalismo para investigar o Brasil de Nelson Rodrigues, pergunto-me agora o que Gabriel vai fazer, filtrando o Movimento Armorial por seu barroquismo mineiro para continuar decifrando o País, nesse momento decisivo em que, no dizer do Nunomura, o governo está mais empenhado em rebaixar do que elevar a cultura brasileira. O crítico de cinema volta ao teatro. Não, não será em Rio Preto, e eu me pergunto se terei de ir a BH, ou ao Porto Alegre em Cena, ou ao Mirada, em Santos, para ver o Auto. Sonho até voltar ao Santiago em Cena, em janeiro, festival que amei este ano, e no qual vi belíssimos espetáculos – e no qual o próprio Gabriel apresentou seu Ricardo III com os Clowns de Shakespeare, quando foi?, anos atrás. Na verdade, depois de um mês de abstinência, já voltei ao teatro, tendo visto neste domingo, no Sesc 24 de Maio, uma montagem que mexeu muito comigo. Gostei demais – demais! – de Tebas Land, de Sérgio Blanco, direção de Victor García Peralta, com apenas dois atores no palco, Robson Torrini e Otto Jr., que criam os três personagens da encenação. No centro de tudo, o parricídio, e o mito de Édipo, que matou o pai, casou com a mãe e deu nome ao complexo que é um dos pilares da psicanálise do Dr. Freud – além de haver inspirado tragédias gregas que atravessam (desafiam?) o tempo e não cessam de assombrar, maravilhar. Vou voltar a Tebas Land, no blog e no Sesc da 24 de Maio, para passar de novo por toda aquela emoção visceral. A peça está de quinta a domingo, até 21 (de julho). Super-recomendada.

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