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O crítico de cinema vai ao teatro (para fazer inimigos?)

Luiz Carlos Merten

13 Dezembro 2018 | 08h31

No post de ontem sobre Aquaman, omiti um dado que talvez revele mais sobre a minha pessoa que sobre o filme. Chorei. Mas como é possível chorar em Aquaman? É possível, sim, é tudo que posso dizer. E lá vou eu fazer inimigos nesta manhã. Os críticos de teatro e literatura da APCA levam tão a sério suas funções que fazem reuniões prévias para discutir as ‘indicações’ das categorias. Sobre literatura, não posso opinar, mas sobre teatro lá vou eu. Cheguei a escrever que ia instituir um prêmio de teatro para Navalha na Carne Negra, porque tinha certeza de que o espetáculo não ia ganhar nada. O dispositivo cênico de José Fernando Peixoto de Azevedo é demais para aquele pessoal, que não tem a menor noção de momentum, vejam-se os escolhidos, e prefere navegar por águas mais plácidas. Assisti a todos os premiados, menos o vencedor do prêmio de direção, Buraquinhos ou O Vento É Inimigo do Picumã, atribuído a Naruna Costa. Achei o conceito espacial, o cenário, o melhor da montagem de O Panorama Visto da Ponte por Zé Henrique de Paula, e olhem que não é fácil, porque naquele teatro, o Raul Cortez da Fecomércio, tudo se perde no gigantismo do palco, formatado para abrigar King Kong. No formato aula-espetáculo, ou aula-performance, sou mais a Mariana Lima em Cérebro Coração – para não falar na Antígona de Amir Haddad e Andréa Beltrão -, por mais que Pi – Panorâmica Insana tenha seus méritos. Quanto a melhor ator e atriz, lamento que não tenham saído da Navalha na Carne. Lucélia Sérgio, sinto admitir, eu que fui presidente da associação, é maior que o prêmio da APCA, e dos que não votaram nela. O que me leva, nos finalmentes, a Gabriel Villela. Há quanto ele não ganha o prêmio APCA? Não ganhou por A Tempestade nem por O Boca de Ouro. Quem se diminui é o prêmio.