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O clã dos carros voadores

Luiz Carlos Merten

09 de abril de 2015 | 23h23

Está havendo a maior guerra. A Universal anuncia que Velozes e Furiosos 7 teve a quarta maior abertura da história nos EUA e a maior no Brasil. A Paris Filmes contesta e diz que o volume 2 da série Crepúsculo teve mais público no primeiro fim de semana nos cinemas brasileiros. A briga é das distribuidoras. De minha parte, Crepúsculo não dá nem para a saída. Furiosos 7 passa feito trator sobre a franquia dos vampiros, lamento pelos fãs de Edward e Bella. Havia visto o trailer do filme na sala Imax do Empire AMC, em Nova York. Fiquei eletrizado com as imagens. Hoje, finalmente, vi no Imax do Bourbon. Bastaram uns 20 minutos – a destruição inicial provocada por Jason Statham e a explosão da casa de Toretto – para eu entrar no clima e ficar convencido de que o sucesso internacional tem razão de ser. De cara, Paul Walker – ou quem quer que faça o papel dele, um dos dois irmãos – diz para o filho que jogou o carrinho de brinquedo longe – ‘Carros não voam’. Mas é justamente o conceito de Furiosos 7. Os carros agora voam! Toretto e seus parceiros saltam de carro, e de pára-quedas, diretamente na estrada em que Ramsay, o hacker – na verdade ‘a’ – que criou um sistema revolucionário para localizar alvos na rede, está sendo transportada para o covil do vilão Djimon Hounsou. É uma perseguição como nunca se viu, e logo em seguida, indo além de Tom Cruise que, em Missão Impossível – Protocolo Fantasma, escalou o prédio mais alto do mundo no Dubai, Vin Diesel e Paul Walker atravessam três outros prédios altíssimos em Abu Dhabi, voando de carro de um para outro e estilhaçando vidraças a 390 km por hora. A ação é vertiginosa – haja adrenalina! -, com brigas de cortar o fôlego (Jason Statham vs. Dwayne Johnson, Statham vs.Vin Diesel, Paul Walker vs Tony Jaa, Michelle Rodriguez vs. Ronda Rousey), mas no centro de Furiosos 7 continua a família, a de sangue como a que as pessoas elegem. O próprio Jason Statham, que vem com tudo contra Toretto e seu clã, também é um homem de família e age para vingar o irmão. Tentei me lembrar de outros filmes em que os atores morreram no meio. Só me veio Tyrone Power substituído por Yul Brynner em Salomão e a Rainha de Sabá, o sofrível canto do cisne de um dos grandes do cinema, o Rei  (King) Vidor. (Peter Finch em Rede de Intrigas e Heath Ledger no Batman, morreram depois de concluída a participação deles.) Nunca houve despedida mais bela que a da franquia para ‘Paul’. Resolvi procurar na internet para ver o que os coleguinhas haviam escrito. Disgusting! Só carinhas revoltados contra as frases de efeito sobre amizade, lealdade. Resolvi procurar o que a crítica dos EUA disse. Pior ainda. Variety, ou The Hollywood Reporter – nem lembro qual -, disse que o filme é ‘ridiculamente divertido’, seja lá o que isso significa. Eu não vi nada ridículo e tiro meu chapéu para James Wan. Justin Lin já havia reinventado a série, criada por Rob Cohen, e eu confesso que tremi nas bases quando soube que seria substituído pelo diretor de Jogos Mortais. O que esse cara faz nas cenas de ação, e nas íntimas, não está no gibi. Furiosos 7 vira um suntuoso melodrama, com direito a recuperação da memória de Michelle Rodriguez, e Paul Walker, o original!, no desfecho. O sonho de Vin Diesel sempre foi fazer dez filmes da franquia. Com o sétimo arrebentando, parece natural que a Universal embarque logo no oitavo, mas há controvérsia. Altos executivos estão querendo que a série termine agora, no auge. Não tenho mais dúvida de que James Wan conseguiria reinventar, e reinventar-se, mais uma vez. Engana-se quem pensa que o gênero espetacular é coisa fácil. É preciso ser muito bom para acertar a mão, e Wan acertou.

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