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O Chefão 3, John Le Carré e a descoberta de The Normal Heart

Luiz Carlos Merten

14 de dezembro de 2020 | 23h29

Foi um fim de semana de muito cinema – em salas. Prosseguiu na manhã desta segunda com a cabine de Mulher Maravilha 84, mas, por enquanto, até amanhã à tarde, tem embargo e estou impossibilitado de falar sobre a nova parceria de Gal Gadot com a diretora Patty Jenkins. Achei bem interessante a ficção científica de George Clooney, O Céu da Meia-Noite. A temporalidade do filme – o cientista e a menina no Ártico e a astronauta Sully, Felicity Jones, que integra um grupo no espaço. Gostei do twist final que estabelece a ligação desses personagens – legal. Tomei um choqwue aso rever O Poderoso Chefão, Dersfecho – A Morte de Michael Corleone. Talvez tenha a ver com a minha vbida, ou simplesmente com a minha paixão de cinéfilo, mas me amarro na estrutura dramática. Todas aquelas histórias de traições, mas, acima de tudo, a família, a resiliência. E a ópera. Preciso sobreviver à pandemia porque, afinal, aos 75, meu tempo está se acabando e eu ainda quero viajar de carro pela Itália, indo até Bagheria, na Sicília, onde Francis Ford Coppola filmou. A escadaria da Ópera. Coppola fez a sua escadaria de Odessa. Genial. Por mais de 20 anos sempre quis fazer uma grande viagem de carro, mas nunca consegui. A vida como ela é. Estranha. Essa viagem agora parece viável, claro que depois da pandemia. Surgiu o principal – a companhia. O sol há de brilhar mais uma vez. De volta ao Chefão 3, podem me chamar de louco, mas assumo que é o meu favorito da série toda. A cena em que Tony canta para o pai a canção que aprendeu especialmente para ele, e Michael que vê sua vida passar. O amor, o que é, afinal? A descoberta de que certas coisas que pareciam tão importantes na verdade não tem importância nenhuma. Saí do Páteo Higienópolis, depois de rever o Chefão 3, chapado. Cheguei em casa, dei uma zapeada e descobri, numa chamada do Fantástico, que John Le Carré havia morrido. A espionagem sem glamour, o reverso de James Bond. Teria dado para fazer o necrológio de Le Carré só sobre as adaptações de seus livros para o cinema. Martin Ritt e O Espião Que Saiu do Frio, Richard Burton e Claire Bloom. Sidney Lumet e Chamada Para Um Morto, George Roy Hill e A Garota do Tambor, John Boorman e O Alfaiate do Panamá, etc. Ainda zapeando, comecei a ver The Normal Heart, com Mark Ruffalo e Julia Roberts. Só descobri nos créditos finais que era um filme de Ryan Murphy. O início da aids, o descaso das autoridades sanitárias de Nova York com o chamado ‘câncer gay’. Perturbador ver o filme e comparar com a ‘gripezinha’ da Covid, por exemplo. Fiquei até quase 2 vendo o Ryan Murphy, que se baseia numa peça de Larry Kramer Uma discussão importante – a explosão da aids ligada à promiscuidade sexual que caracterizou toda uma geração de LGBTQs+ que saiu do armário disposata não apenas a assumir, mas a fazer valer suas preferências. Uma brevíssima cena de suruba acho que foi a coisa mais ousada que vi na vida. E Mark Ruffalo como gay. Muiyto, muito bom.