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O caso Emmerich

Luiz Carlos Merten

08 Setembro 2013 | 12h22

Não vou dizer que é bom – meus colegas me comeriam vivo -, mas achei bem interessante O Ataque, de Roland Emmerich, que vi ontem, e numa versão dublada, ainda por cima. Mesmo quando não gosto dos filmes dele – e não tinha gostado particularmente dos últimos -, tenho de reconhecer que Emmerich é um ‘caso’. Um diretor de ação, que faz filmes musclés, como dizem os franceses – cheios de testosterona – e que, na verdade, é um gay que desafia preconceitos em Hollywood e chega nesses grandes eventos de cinema de mãos dadas com seu namorado mais jovem. O cara tem de ser muito macho para se fazer respeitar neste meio, mesmo que a (in)tolerância seja especialmente em relasção aos astros. E Emmerich cultiva certa ambigüidade. Suas mulheres são fortes, independentes, ocupam postos de comando. Os heróis, mesmo quando batem e arrebentam, como Channingt Tatum em O Ataque, são, de certa forma, mais frágeis. Maggie Gyllenhaal o descarta como segurança do presidente dos EUA, mas ocorre de Channing estar na Casa Branca quando terroristas a ocupam e tentam fazer o presidente de refém. Não é a primeira vez que Emmerich destrói a Casa Branca. Lembram-se do ataque dos alienígenas em Independence Day? Ele tem fixação. E os caras não são árabes, não têm ligações com a Al-Quaeda. São rebotalhos humanos  cuja ligação é com o complexo industrial/militar que ditava as cartas sob Bush Jr. – lembrem-se dos documentártios de Michael Moore – e que agora estão na mira de um presidente negro. Na ficção, é Jamie Foxx. Acho interessante como Emmerich, um gay que nunca se preocupou em adotar ou fazer filhos, seja tão preocupado com a paternidade. Seu herói preferido é sempre um pai em crise e que tem de se afirmar como tal. E o que significa destruir a representação do poder – a Casa Branca? Freud explica. Existem duas tentativas de golpe dentro do filme, e o golpe final, pois de trata de um golpe, do ponto de vistaq legal, é praticado por… Vejam, se tiverem curiosidade. Em português, o diálogo, principalmente no começo, chega a ser constrangedor. Mas o roteiro, a história, tem um encadeamento sólido e cheio de reviravoltas. E Emmerich, mesmo quando exagera nos clichês, filma bem a ação. Lá vou eu com minha fórmula – posso não ter gostado de O Ataque – seria preciso mais guts do que tenho -, mas gostei de ter visto. Diverti-me. Pulei feito um maluco na poltrona do PlayArte Marabá, com tanta pancadaria. Saí levinho do cinema, pronto para rever Las Acacias, que é outro compartimento, e uma obra-prima de simplicidade e minimalismo, ali onde O Ataque carrega nos efeitos e nas explosões.