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O campeonato de Scorsese

Luiz Carlos Merten

29 Dezembro 2014 | 19h05

Segundo dados de Variety, O Lobo de Wall Street foi o filme mais pirateado do mundo em 2014. O filme de Martin Scorsese foi baixado ilegalmente por mais de 35 milhões de pessoas na internet. Foi seguido, quase colado, por Frozen, a animação que virou o maior sucesso da Disney de todos os tempos, incluindo todos aqueles títulos míticos que você sabe. Mas não se assuste que o post não vai ser contra os downloads ilegais. Por maior que possa ter sido o prejuízo, ficou todo mundo feliz. Apesar do vazamento de divisas, o filme foi o maior sucesso da parceria Scorsese/Leonardo DiCaprio, o diretor e o astro ganharam seus cachês milionários e O Lobo ainda entrou para o Guinness como recordista de acessos. Só quero dizer o seguinte – não entendo esse furor do público (e da crítica, é bom acrescentar) pela fase atual de Scorsese. Acho até, não nego, que ele era um autor interessante no começo de sua carreira, mas justamente a fase com DiCaprio representa, para mim, o pior que ele já produziu. Só tem um filme razoável – Os Infiltrados, que o próprio Scorsese pirateou de Andy Lau. As Gangues de Nova York é pavoroso – tentei rever no outro dia na TV paga, mas não deu. O Aviador é pior, muitíssimo pior, do que Os Insaciáveis, que Edward Dmytryk realizou contando a mesma história, com base no best seller de Harold Robbins. A Ilha do Medo, se fosse de qualquer outro diretor menos prestigiado, seria defenestrado como exercício de manipulação. E O Lobo foi o campeão de apelação do ano. Filmezinho sórdido. Colocado contra a parede, quando tem de fazer um sucesso para se manter à tona, Scorsese não tem pudor em fazer o que é necessário. Paulo Francis já dizia isso, lembro-me, sobre A Última Tentação de Cristo, que tanto irritou o falecido Jânio (Quadros), mas era obra-prima comparado ao Scorsese da última fase. Misturei alhos com bugalhos, sei, mas não queria perder a chance de falar mal de ‘Marty’. Tão medíocre que ele ficou, mas ainda merece respeito. O que ele faz pela preservação de clássicos não está no gibi. Se pelo menos Scorsese virasse crítico… Teríamos todos a ganhar. Suas observações no filme sobre Elia Kazan e sobre o neo-realismo naquela viagem pelo cinema italiano, são muito boas. Dão de dez na cabotinice do Lobo.