As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O Brasil que inspira

Luiz Carlos Merten

07 de junho de 2016 | 23h59

Vi ontem o Aldo- Mais Forte Que o Mundo, de Afonso Poyart. O diretor tem aquela pegada de ação meio videoclipe. O filme tem de passar a 100 por hora, 99 não serve. E tem todo aquele miserabilismo inicial. Família pobre, pai bêbado, que batia na mãe. Isso gera o grande conflito – José Aldo da Silva Oliveira Jr. tem de dominar os próprios demônios, vencer a si mesmo para ser campeão de MMA e da categorias peso pena do UFC. Confesso que estava meio desnorteado no começo. Mas aí, sei lá, pelo meio do filme, dentro desse estilo clipado do diretor, entra o clipe de Baby. José Aldo e a mulher, Vivi, no ringue. E, logo em seguida, uma luta épica, a primeira grande conquista internacional de Aldo. Sergio Leone, trilha de (Ennio) Morricone. O filme terminou me apanhando. No final, Aldo pisa na bola, vai atrás da mulher que ama. A declaração de amor e o pedido de casamento são coreografados e filmados como uma luta. Achei realmente bonito, até porque os atores estão ótimos. Transpiram sinceridade, sensualidade, intensidade. Afonso Poyart, de Dois Coelhos, não é metido, mas sabe que é bom de ação. Contou-me como foi contactado para fazer um filme sobre MMA. As lut6as, em si, não o motivavam. Ele começou as investigar os personagens. Chegou a Aldo. A relação complicada com o pai seduziu Afonso. Ele dedica Mais Forte Que o Mundo a seu pai, que morreu e não chegou a ver o filme. José Loreto, que faz o papel, mergulhou de cabeça. O garoto sempre praticou esportes. A parte física… Tudo bem. Faltavam os demônios de Aldo. Fátima Toledo entrou em cena. A preparadora chegou a dizer ao diretor – ‘Ele (José Loreto) é muito bonzinho.’ Não vai dar? Com a ajuda de Fátima, Loreto potencializou a própria agressividade, o ódio. E Cléo Pires, que faz Vivi, sua mulher, é aquela loucura. Cléo me contou como seguiu Vivi nas redes sociais para tentar descobrir quem é essa mulher, tão faca na caveira. E eu adoro quando, no filme, elas enquadra o macho, o lutador. Chama-o de ‘moleque’. Como se filmam as lutas? O cinemas brasileiro não tem a tradição de boxe, de lutas, de MMA. Afonso Poyart conseguiu. O filme entra grande, no dia 16. Tenho a impressão de que vai tomar porrada. Mas não é ruim – não é mesmo. Tem pathos. E esse elenco f… Além de Loreto e Cléo, Jackson Antunes, Cláudia Ohana, Milhem Cortaz e Paloma Bernardi. Claro que as trajetórias nem os filmes se comparam, mas Aldo é inspirador como a Nise da Silveira de Roberto Berliner. Guerreiros – se há uma coisa que o cinema nacional está aprendendo a fazer é, ou são, biografias.

Tendências: