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O bom filho à casa torna

Luiz Carlos Merten

17 de janeiro de 2019 | 10h31

SANTIAGO – Cá estou, escrevendo o que talvez seja o último post dessa viagem. Estou postando do laptop, do quarto de hotel. Não sou de ficar abrindo o computador no aeroporto, mesmo que tenha zona de wifi. Ainda quero visitar uma loja de revistas no Centro, subir ao Cerro San Cristóbal e, no fim da tarde,inicio a viagem de volta para o Brasil. Com as horas de voo e a diferença de horário, devo chegar aí por volta da meia-noite. Foi uma viagem intensa. Lo Vásquez, a casa de Pablo Neruda em Valparaíso, passeios em Santiago, o festival de teatro e otras cositas más. Não vou listar a quantidade de espetáculos que vi, mas entre filmes, concerto e peças, passaram da dezena. Seguramente, dois, no mínimo, por dia, menos no sábado, quando fui a Valparaíso. Fui muito ao Café Caribe, no Paseo Ahumada, aos restaurantes do Pátio Bellavista e a um francês próximo ao hotel, na Av. Providéncia, o Normandie, do qual gostei bastante. Nada chic, mas atendimento atencioso e comida boa. Volto tendo tido uma das epifanias teatrais da minha vida, o Shaskespeare peruano de Chela De Ferrari – Mucho Ruido por Nada -, que adoraria que algum dos festivais brasileiros de artes cênicas convidasse para o País. Queria fazer um post sobre a peça de ontem à noite, A Iguana de Alessandra, texto e montagem (musical) de Ramón Griffero que viaja no tempo por acontecimentos decisivos da história do século 20 – a 2.ª Guerra, o franquismo, o livro vermelho de Mao, o Chile da Frente Popular e a Síria conflagrada – para desenvolver o que não deixa de ser uma tese tão vital quanto curiosa (necessária?). Mesmo em meio às piores desgraças, temos, os humanos, direito ao amor e à felicidade. Falo brevemente sobre Alessandra e sua iguana, porque quero aproveitar essas horas, ia escrever últimas horas, mas soa muito definitivo, para um giro por Santiago. Ando tão mordido pelo teatro que quero aproveitar o fim de semana para ver, aí em São Paulo, o Tchecov do Tapa, O Jardim das Cerejeiras, e a peça escrita e dirigida por Sílvio Guindane, Ele Ainda Está Aqui. Na segunda, sigo para Tiradentes, para a Mostra Aurora, e aí vou ter uma semana inteira só de filmes. Na próxima semana, a Academia divulga os indicados para o Oscar. E, logo em seguida, terei Berlim, com o Marighella de Wagner Moura. Cinema, cinema, cinema. O bom filho à casa torna.