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O Auto, de novo

Luiz Carlos Merten

17 de agosto de 2019 | 08h37

Na quinta à noite, fui rever, com Orlando Margarido, Auto da Compadecida, no Sesc Pompeia. Gostei ainda mais da montagem de Gabriel Villela para o belo texto de Ariano Suassuna. Na primeira vez, vivi emoções muito fortes, conflitantes, não entre gostar e não gostar, mas entre euforia e tristeza. Muita coisa ocorrendo, e eu tenho de me cuidar para não viajar na depressão. Na quinta, viajei na alegria e botei meu bloco na rua com o povo do Cutia, o grupo mineiro (de teatro de rua) com o qual Gabriel faz sua encenação. Gosto demais do ritmo, da trilha, da riqueza visual e gestual. E de todo o elenco. Acho legal que Leonardo Rocha e Hugo da Silva tenham conseguido criar os próprios João Grilo e Chicó, sem se prender (pelo contrário) aos modelos das também magníficas criações de Matheus Nachterghaele e Selton Mello na microssérie da Globo que virou filme de Guel Arraes. Mariana Arruda e Jimena Castiglioni têm se alternado como a Mulher do Padeiro e a Compadecida, Dê Jota é maravilhoso como Palhaço e Manuel, Nosso Senhor Jesus Cristo, Malu Grossi faz a sacristã e Marcelo Veronez arrasa como o venal Padre João e o Diabo, mas confesso que, especialmente na segunda vez, tive uma queda pela Polyana Horta, com o mineirês irresistível de seu Bispo. O Auto fica até dia 1.º no Sesc Pompeia e depois viaja. Pelo que entendi do que contou o Leonardo, numa conversa na porta do teatro, quando o grupo confraterniza com o público, o Cutia só fez uma encenação de rua da peça, e foi gloriosa. Gostaria muito que o Auto fosse ao Santiago a Mil, o festival de artes cênicas do Chile, onde Gabriel já apresentou seu Ricardo III, também na rua, com os Clowns de Shakespeare. Recomendo de coração a história altamente moral e o apelo à misericórdia do Auto. É a montagem que o Brasil estava precisando. E alegria, alegria.

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