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O ano que não termina nunca

Luiz Carlos Merten

08 Setembro 2013 | 13h58

Carlos Pereira me lembra que além de Altman, Nasville, e do Nicholas Roeg, Inverno de Sangue em Veneza, o pacote de DVDs que ele me pediu que comentasse incluía um grande Losey, Estranho Acidente. Não sei de vocês, mas sempre achei que Accident é maior que O Criado, com seu roteiro de Harold Pinter, e sempre me encantou como Losey desconstrói o tempo, à Alain Resnais, e ainda fornece para a gente a pista de ter a Delphine Seyrig, de O Ano Passado em Marienbad, no elenco.  Mesmo não concordando 100%, achei pertinentes certas observações do Gildo em seu comentário que mistura nouvelle-vague e PT (que seria a nova onda da política brasileira). Truffaut realmente não é minha praia, exceto O Garoto Selvagem, e eu prefiro Chabrol, sobretudo por seus três grandes filmes por voltas d3e 1970 – A Mulher Infiel, O Açougueiro e A Besta Deve Morrer. Quem me comentou A Hora da Pistola?  É um grande Sturges, sim. Em 1957, quando ele fez Sem Lei, sem Alma,  ainda prevalecia a lenda na abordagem do célebre tiroteio do OK Corral, quando Wyatt Earp e Doc Holiday enfrentaram os Clanton. Gosto muito do clima de Sem Lei sem Alma e daquela balada cantada pelo Frank Laine, incluindo a imagem do cemitério, que já é premonitória. Ocorre que, em 1960, um artigo que saiu em Life – a revista nem existe  mais -, propunha uma outra leitura dos mitos do Oeste, tipo Wyatt Earp e o General Custer. Com base no revisionismo histórico, Sturges fez, em 1967, dez anos depois, A Hora da Pistolaq, em que os mocinhos de 57 revelam uma dimensão bem mais sombria (e não eram mocinhos porra nenhuma). Eu amava Sturges, seus westerns e a eletrizante aventura de guerra, Fugindo do Inferno. Me emociona muito quando, tanto tempo depois, cineastas que fazem parte do meu imaginário seguem sendo (re)descobertos e valorizados. É a vantagem de ter 67 anos. Viver para ver tantas transformações, no cinema (inclusive). Na quinta, dia 12, vocês sabem, serão 68 anos. 68! O ano que nunca termina…