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O ano em que vivemos em perigo

Luiz Carlos Merten

16 de dezembro de 2020 | 13h18

Não, não é o filme de Peter Weir com Mel Gibson. Fui agora pela manhã tirar os pontos da minha cirurgia na boca. Disse-me o cirurgião/dentista que a cicatrização está ótima, mas sinda vai levar um tempo – dois meses? – para podermos prosseguir com o tratamento. Tanta coisa tem me acontecido. Há dois anos, 2018 provocou um terremoto na minha vida. Agora esse 2020. Já vai tarde. Pandemia, o Bozo, sua família que parece blindada. Por muito menos fizeram o impeachment da Dilma e Lula foi preso – as acusações estão caindo e o Dr. Moro agora é consultor de uma empresa norte-americana para reerguer as empresas que derrubou na Lava-Jato. Mas pode isso? Onde fica tal ética? A vacina virou esse imbróglio. O que ainda nos reservará 2021? Penso tudo isso, mas penso que eu ainda passei por um processo, esse muito pessoal. O cara que detestava links e fazia questão de só ver os filmes no cinema. Isso está acabando. Passei o ano vendo links de filmes, de festivais. Não é que eu goste, mas foi uma questão de sobrevivência. Continuo sem celular, mas comprei outro notebook para melhorar o som, agora que estou ficando um ás nas entrevistas por Zoom. Quem diria? Ontem entrevistei três atores – o elenco principal, Jaime Lorente, Alicia Sanz e Carlos Bardem – da minissérie espanhola El Cid. Fiquei mais de uma hora nessa função e, no fim da tarde, juntei-me a amigos – Orlando Margarido, Emília Silveira, Marcus Fernando, a Malu – num encontro virtual. Duas horas e meia de papo, da autobiografia de Woody Allen aos filmes que estamos assistindo, ou melhor, que eles assistem no streaming. Pelo visto, só eu, e meu editor, Ubiratan Brasil, estamos indo aos cinemas. Já vi muitos filmes em cabines exclusivas, e agora me parece quase isso. Duas pessoas quando fui ver o George Clooney, O Céu da Meia-Noite, três na sessão do Domingos Oliveira, Os Oito Magníficos, e o recordista – uns dez espectadores! -, o Francis Ford Coppola da nova versão de O Poderoso Chefão III, agora O Desfecho – A Morte de Michael Corleone. Estamos todos tentando sobreviver – será nosso maior presente nesse Natal -, mas o que ouço é que a janela entre lançamento em salas e streaming está caindo e as duas formas de ver filmes começam a andar juntas (e o público tem preferido as plataformas). É muita mudança para processar. Para o berm e para o mal, 2020 será inesquecível.