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O ano em que o melhor filme… Não foi!

Luiz Carlos Merten

22 Abril 2017 | 13h14

Comprei, na banca do Conjunto Nacional, a nova Empire. Na capa, a nova Mulher Maravilha – o fim de uma longa espera de 75 anos… A edição (de abril) também privilegia Alien Covenant e Ghost in the Shell, A Vigilante do Amanhã. Preciso conferir como foi o filme com Scarlett Johnsson nas bilheterias do Brasil. Gostei tanto, mas o público estava vendo a insossa Bela contra a fera mais… Qual o adjetivo? Talvez a fera ‘menos’ seja suficiente. Mas, enfim, a grande matéria da revista é uma viagem no túnel do tempo. Em fevereiro de 1942, dois meses após o ataque a Pearl Harbor, a ‘América’ ainda estava em choque e a Academia de Hollywood quase cancelou sua cerimônia de entrega de prêmios aos melhores do cinema em 1941. O mundo não estava para festa. Foi a mais austera cerimônia do Oscar – ever. Nada de gala. Um simples jantar. Bob Hope era o apresentador. Entre os indicados, um dominava o tititi na cidade. Cidadão Kane concorria em nove categorias, incluindo melhor filme, diretor, ator… Orson Welles, Orson Welles, Orson Welles. No final, o so called melhor filmes de todos os tempos levou somente a estatueta de roteiro original, iniciando a célebre polêmica – o escritor Herman Mankiewicz ou o cineasta Welles? Quem é o autor de Citizen Kane? Mas nem o Oscar de fotografia, considerando-se que Gregg Tolland (e Welles) estavam inventando o bê-a-bá da sintaxe cinematográfica? Não. Quem levou, na categoria PB – naquele tempo havia a categoria filmes coloridos – foi Arthur Miller, homônimo do dramaturgo, por Como Era Verde o Meu Vale. O longa de John Ford adaptado do romance de Richard Llewellyn, sobre a vida numa aldeia de mineradores no País de Gales, vista pelos olhos do caçula de uma família, venceu também melhor filme, direção, ator coadjuvante (Donald Crisp). Empire apresenta – o filme que venceu o melhor de todos os tempos é o melhor? Duvido que Como Era Verde apareça numa lista de melhores que me foi proposta aqui no Brasil. São 20 filmes, por ordem. Cidadão Kane entra na minha lista lá pelo décimo. O Encouraçado Potemkin, estou em dúvida. No meu imaginário, Terra, de Alexander Dovjenko, o mais belo poema revolucionário do cinema, atropela o clássico de Sergei M. Eisenstein, com escadaria de Odessa e tudo. Meus 20 +… Depois, eu conto. Agora, vou sair para almoçar e…. É tudo Verdade!