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O adeus a Kilar

Luiz Carlos Merten

30 de dezembro de 2013 | 16h18

Só descobri agora que morreu Wojciech Kilar, o grande compositor polonês. Morreu no domingo, 29, aos 81 anos. Kilar compôs trilhas para Andrzej Wajda, Terra Prometida, e Roman Polanski, justamente a de O Pianista, que venceu a Palma de Ouro e os Oscars de direção, ator (Adrien Brody) e roteiro adaptado (Ronald Harwood, baseado no relato autobiográfico de Wladyslaw Szpilman). Por melhores que sejam essas trilhas, a que ressoa nos meus ouvidos, neste momento, e faz de Kilar uma figura imortal é a do Drácula de Francis Ford Coppola. O filme é uma obra-prima do barroco. Vem-me imediatamente à lembrança a imagem da vampira descendo a escadaria com aquele vestido de rendas brancas, ao som dos acordes fúnebres de Kilar. Ele estudou composição em Paris com Nadia Boulanger e participou com Krszystof Penderecki da vanguarda polonesa nos anos 1960. Nunca vi, mas sei que, no começo dos anos 1990, Krszystof Zanussi fez um elogiado documentário sobre ele. Entre suas peças clássicas, há uma – Exodus – que foi usada para embalar o trailer de A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Mas é o Drácula de Bram Stocker (e Coppola) que melhor sintetiza seu conceitos de música para cinema. Trompa, sopros, coral. Kilar era poderoso.