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Nova York!

Luiz Carlos Merten

20 de agosto de 2013 | 17h59

Mal tive tempo de digitar um post no aeroporto de Guarulhos, pouco antes de embarcar para os EUA, na sexta. Foi tudo muito rápido. A saída de Gramado, a vinda para São Paulo e a passagem por casa, um pouco para trocar de mala – Gramado estava um frio do cão, Nova York em chamas, de tão calor – e também para fazer matérias no Standard, em Chelsea, uma área que agora ficou nobre, graças principalmente à High Line, o jardim suspenso que virou a sensação dos próprios nova-iorquinos descolados. Um sonho de capitalismo – só lojas de grifes, baladas e gente bonita. Ao mesmo tempo, uma merda. Não levei laptop – claro – e o hotel não tem business center. Com muito esforço, me arranjaram um laptop escangalhado porque tinha de mandar matérias no domingo. A máquina enguiçava a toda hora e me fazia perder o texto. Recomecei umas cinco vezes, sem exagero. Que pesadelo! Entre mortos e feridos, consegui mandar o texto sobre o encerramento do Festival de Gramado. Deveria ter feito o texto antec ipadamente, porque não tinha muita dúvida de que Cazando Luciernagas e Tatuagem seriam os vencedores, mas pegando carona no cu de Tatuagem gostaria que o júri tivesse tido culhão e dado o prêmio de melhor filme, não apenas direção, para A Brutas Flor do Querer, da dupla Andradina Azevedo e Dida Andrade. Enfim, até isso posso aceitar, mas o prêmio póstumo para Walmor Chagas em detrimento dos garotos de Tatuagem foi meio demais para mim. Fui a Nova York para a long lead de Hobbit (2) – The Desolation of Smaug. A coisa foi acertada por meu e4ditor e eu tomei um choque ao descobrir que Peter Jackson não estaria presente e ia entrevistar os atores – Orlando Bloom, que confesso que achei meio fresco, mas um colega de NY me garantiu que não é gay (é inglês, me disse o outro, explicando a afetação), Richard Armitage e Lee Pace. O melhor de Nova York, além da própria cidade, foram os filmes.  Vamos lá – confesso que me decepcionei um pouco com o Elysium, mas Wagner Moura e Alice Braga (em seu melhor papel em Hollywood) valeram o esforço. Gostei muito mais de Blue Jasim, o novo Woody Allen, que volta ao humor sombrio – ao drama – de Hannah e Suas Irmãs e Maridos e Esposas. Para mim, é seu melhor filme em anos e se Cate Blanchett não for indicada para o Oscar – ganhar, não sei – o jeito será mandar a tal ‘academia’ à merda. Outro que precisa ir para o Oscar no ano que vem – Forest Whitaker, por Lee Daniel’s The Butler (o título é assim mesmo, com o nome do diretor de Precious).  Gostei, muito mais que de Precious, e o Forest é gênio no papel, mas como como não faz o circo do Idi Amin de O Último Rei da Escócia, não sei se leva o segundo Oscar, não sei nem se vai ser indicado, quem serão os outros, mas que ele merece., merece. E a Oprah Winfrey, que faz sua mulher? O filme é sobre um negro do Sul que sobrevive ao racismo, vai para Washington e vira mordomo da Casa Branca, atravessando décadas de histórias e servindo a presidentes como Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon… Ele se aposenta, mas vive para ver o início da era Obama. Oprah Winfrey faz parte do meu imaginário por sua criação em A Cor Púrpura, pela qual deveria ter ganhado o prêmio da Academia. Que seja agora, o de coadjuvante. E vi Conjuring, o terror mais assustador dos últimos tempos, com uma primeira metade que é obra-prima, como cinema de gênero. A mesma história de Amityville, a família na casa assombrada, a condenação à morte. Preparem-se porque é de deixar o cabelo em pé. Vi muitos trailers, e de filmes que me deixaram nos cascos. Fiquei doido pelo 12 Years a Slave, de Steve McQueen, com Chiwetel Ejiofor, que talvez venha a ser um interessante – e até mais que isso, espero – contraponto ao Django de Quentin Tarantino. Um negro que nasceu livre, emancipado, é sequestrado e vendido como escravo no Sul, pré-Guerra Civil. Fiquei louco pelas imagens, e espero que seja muito bom. Comprei livros, um sobre Sergio Leone, Something to Do with Death, que devorei no avião e nos aeroportos, na volta. Meu voo de regresso foi via Orlando e, na conexão, não deu outra. Minha mala sumiu… Paro por aqui. Quero ver o Percy Jackson, mesmo sabendo que a critica baixou o pau na mitologia, segundo Hollywood. Pretendo falar muito do livro sobre Leone, mas uma parte é sobre os épicos mitológicos do começo da carreira dele, Os Últimos Dias de Pompeia, que ele terminou para Mario Bonnard, e O Colosso de Rodes. Preocupado com a verossimilhança, Leone contratou uma especialista que lhe disse  – o filme não tinha salvação. Do roteiro aos cenários e figurinos, seria melhor se ele queimasse tudo. Leone não queimou. Fez os filmes, descobriu as planicies de Almeria, na Espanha, teve Sergio Corbucci e Tonino Valerii nas equipes e… Tãtãtã… Das ruínas dos épicos mitológicos nasceram os spaghetti westerns. Confesso que, enquanto lia o livro – devorava -, pensava o tempo todo no Fernando Severo (que anda sumido do blog). Severo, que gosta muito mais do Leone que eu, ia colocar esse livro no seu panteão particular. Toda a fase que trata do aprendizado de Leone – filho de cineasta, assistente de Vittorio de Sica (e até ator) em Ladrões de Bicicletas, assistente dos grandes de Hollywood que foram fazer épicos na Itália nos anos 1950 – me deixou em êxtase pelas revelações. Dá para perceber a construção mental de um Oeste imaginário pelo filho de Roberto Roberti. Amei o livro. Ou melhor, estou amando, porque é longo (500 páginas) e não terminei. Me deu até vontade de rever a obra completa de Leone.

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